4 de mai de 2009

Trio Manari

“Tem como fazer um tablado de madeira, cobrir com terra batida e captar com microfones por baixo”. Ouvíamos as músicas do compositor e seus parceiros, uma reunião de trabalho informal.

Eles, os produtores e eu, anfitrião e convidado a dar palpites e confirmar idéias. A música pedia o som de pés arrastando no chão como os índios que, por esta influencia, nossos roceiros também dançam. Um dos autores, também produtor assim pedia. A solução estava dada, parecia já estar pronta.

Minha atenção se desviou por um instante da obra prima que estávamos ouvindo e fiquei olhando os três, confundido. Pareciam um e eram três.

Puxei na memória alguns momentos de convivência, nossas conversas e brincadeiras. Lembrei da pergunta de um deles num encontro casual “samba de cacete existe mesmo”, de indagações sobre algum termo indígena, lembrei de precisões absolutas em algumas apresentações que assisti, de muitas brincadeiras feitas nos bastidores dos teatros. Assim naquela mesma noite comecei a desvendar o mistério daquela trindade.

Um trio, formado na convivência de quando cursavam o Conservatório Carlos Gomes (Belém-PA), se dedicaram, também individualmente, ao aprofundamento do ofício e na pesquisa da diversidade percussiva regional, principalmente amazônica e brasileira.

Novos, atentos para o conhecimento, ávidos pelos modos, pelas possibilidades de cada sonoridade, pelo melhor fazer. Nunca perdem o respeito pelos valores culturais que pesquisam, aprendem e ensinam com invejável humildade. Sabem o que é modernidade sem arvoro ou alarde.

Formado por Nazaco Gomes, Márcio Jardim e Kléber Benigno (Paturi) o Trio Manarí por onde vai, seja pelo interior, pesquisando, seja para o exterior, sozinhos ou acompanhando outros artistas, num estúdio gravando discos, trilhas e até mesmo nas oficinas que ministram regularmente, ensinando rudimentos da teoria musical, criação e manuseação de instrumentos - induzindo o participante a buscar sonoridade própria a partir deles - , jamais abandonam a alegria do conhecimento novo, do aprendizado espontâneo que fazem na convivência com o em volta.

O Trio Manarí estampa valores por onde passa. Mesmo quando configurado em apenas um deles, Nazaco, Márcio ou Paturi esbanjam bem fazer com simplicidade de mestres que são.

Desvendados, não são apenas um grupo de percussão, a especialidade deles é a harmonia. Desde a formação, um são três e os três estão em qualquer um deles até quando pinçam o som mais sutil da natureza para entregar a um instante.

Nazaco, Márcio e Kleber escrevem um capítulo especialíssimo na história da música amazônica e brasileira, com a harmonia e a simplicidade ritmando com a alegria e a determinação.

Aqui, Manariando, peço,

À benção amigos queridos.

Marcos Quinan

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