30 de abr de 2009

Os sertões dentro da gente

Há sertões sem fim dentro de quem desprotege a existência das emoções vindas de fora, e reinventadas nas cacimbas e grotões da alma que abre bem os olhos para as dimensões imensuráveis do mundo. Generosidade no olhar e no transbordar esse olhar sobre o tudo em volta. Guimarães Rosa faz isso com a gente. Mexe com o ritmo do pensar, muda o foco do jeito como vemos as cores, as pessoas, a obra interminável da natureza e as pegadas do ser humano na estrada de si mesmo.

Tem uma coisa de emocionar inesperadamente, de fazer rir do impensável mais simples e de fazer deter a observação na densidade do mais complexo. Não há frase por ele escrita impunemente, nada escapa do enlaçar do raciocínio, que nele é como olho d’água brotando, brotando e sempre brotando. Não se pode ser o mesmo, ou a mesma, depois de vislumbrar a limpidez de um personagem criado por João Guimarães Rosa. São como espelhos que falam, que resmungam, que inquietam.

E nós estamos lá, dentro deles e eles dentro de nós, mesmo que seja aos pedaços, na proporção de nossa capacidade de enxergá-los e de nos reconhecer com coragem. Há uma sensação de plenitude, de pertencimento ao universo das emoções e buscas que são de todos. O amor, a amizade, as contradições dos apegos, as sinuosidades da maldade, a serenidade da sabedoria. Tudo isso em linguagem que decodifica os mistérios desse pertencer entre homem e natureza, ainda que parecendo um código próprio, só dele.

E bem de repente a gente quer do fundo da alma integrar esse falar que parece truncado, mas que sai dizendo de tudo por tudo que tem dentro da gente. E aí reside a natureza dos sertões que nos habitam. Essa força que faz caírem as civilidades expostas em artificialidades engessadas, em modos e pensares arrumados em prateleiras de bom senso, em conceitos concebidos antes da vivência sincera com o mundo e com as pessoas.


29 de abr de 2009

Na sombra da tarde

não haverá solidão
desde que a sombra da sala
inaugure o beijo
no começo da tarde

e assim começando
leve à esquina da rua
o afago encontrado
na dobra do tempo

e que a promessa
de tão somente caminhar
seja quebrada sempre
no assombro do desejo

haverá tempo
(Tela The Kiss, de Gustav Klimt)

28 de abr de 2009

Varanda da noite

(Marcos Quinan / Márcia Corrêa)

varanda da noite
fundo de céu
repouso da lua
tirando o véu
desejo menino
tem cheiro de flor
o olhar flutua
pedindo amor

rampa de cozinha
por lá entrou
migalhas horas
enquanto durou

um café coado
luar pela fresta
a cama vazia
é o que resta
não leve tristeza
que ela não é sua
vivendo sem ela
me sinto nua

rampa de cozinha
por lá entrou
migalhas horas
enquanto durou

varando a noite
a mulher e a lua

Voz, violão e assovio Eudes Fraga

(Tela "A Lua", de Tarsila do Amaral - 1928 - óleo/tela)

27 de abr de 2009

Projeto Folguedo Junino 2009

A Associação Folclórica e Recreativa "Raízes Culturais", neste ano de 2009 apresenta na quadra junina a proposta temática: Literatura de Cordel. O projeto tem como característica a divulgação da nossa cultura, com ênfase neste movimento (Literatura de Cordel), que acontece nos estados nordestinos.

Base teórica do movimento
A literatura de cordel é assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos, dependurados em barbantes (cordão), nas feiras, mercados, praças e bancas de jornal, principalmente das cidades do interior e nos subúrbios das grandes cidades. Essa denominação foi dada pelos intelectuais e é como aparece em alguns dicionários.
O povo se refere à literatura de cordel como folheto.A tradição dessas publicações populares, geralmente em versos, vem da Europa. No século XVIII, já era comum entre os portugueses a expressão literatura de cego, por causa da lei promulgada por Dom João V, em 1789, permitindo à Irmandade dos Homens Cegos de Lisboa negociar com esse tipo de publicação.

Esse tipo de literatura, hoje, não existe apenas no Brasil, mas, também, na Sicília (Itália), na Espanha, no México e em Portugal. Na Espanha é chamada de pliego de cordel e pliegos sueltos (folhas soltas). Em todos esses locais há literatura popular em versos.Segundo Luís da Câmara Cascudo, no livro "Vaqueiros e Cantadores" (Porto Alegre: Globo, 1939. p. 16) os folhetos foram introduzidos no Brasil pelo cantador Silvino Pirauá de Lima e depois pela dupla Leandro Gomes de Barros e Francisco das Chagas Batista.
No início da publicação da literatura de cordel no país, muitos autores de folhetos eram também cantadores, que improvisavam versos, viajando pelas fazendas, vilarejos e cidades pequenas do sertão. Com a criação de imprensas particulares em casas e barracas de poetas, mudou o sistema de divulgação. O autor do folheto podia ficar num mesmo lugar a maior parte do tempo, porque suas obras eram vendidas por folheteiros ou revendedores empregados por ele.

O poeta popular é o representante do povo, o repórter dos acontecimentos da vida no Nordeste do Brasil. Não há limite na escolha dos temas para a criação de um folheto. Pode narrar os feitos de Lampião,as "presepadas" de de heróis como João Grilo ou Canção de Fogo, uma história de amor, acontecimentos importantes de interesse público.

Atualmente, a literatura de cordel não tem um bom mercado no Brasil, como acontecia na década de 50, quando foram impressos e vendidos 2 milhões de folhetos sobre a morte de Getúlio Vargas, num total de 60 títulos.

Hoje, os folhetos podem ser encontrados alguns mercados públicos, como o Mercado de São José, no Recife, em feiras, como a de Caruaru, e em sebos. Há uma coleção de folhetos de cordel disponível para consulta, no acervo da Biblioteca Central Blanche Knopf da Fundação Joaquim Nabuco.
Fontes consultadas:
CURRAN, Mark J. A página editorial do poeta popular. Revista Brasileira de Folclore, Rio de Janeiro, a. 12, n. 32, p. 5-16, jan./abr. 1972.

Ana Lívia Guedes Almeida
Assessoria de Divulgação da Associação Folclórica "Raízes Culturais"

Macapá: Festival de Dança

Abertura

Dança das Brumas
‘Coreografia da Aura’

Apresentação: Karla Regina (8114 6445)- Maiores informações

Com a Música: Castilla
(Sons Além da Lenda)

Data: 29/04//09 (Quarta-Feira)
Local: Teatro das Bacabeiras
Horário: 18h – Abertura ( Chegar Antes!)
Ingresso: R$5,00 ( Bilheteria Teatro, a partir de 8h, dia 29/04/09)

Apresentação de vários Estilos e Grupos de Danças no Estado, para comemorar o dia internacional da dança: 29/04! Venha conferir: Ballet, Dança do Ventre, Hip Hop...

Obs.:Dança das Brumas
É uma dança com fins Terapêuticos, desenvolvida em fase de experiência-laboratório, com orientação de médicos...
Paulo de Tarso Barros

Belém: Programação História e Afirmação das Culturas Africanas e Afro-bresileiras - EGPA, Maio/2009

Oficina-Vivência: "Dançando a alma afro-brasileira"
- oficina de Danças Circulares com a jornalista, dançarina e pesquisadora "Lúcia Cordeiro"
- coordenação e informações: com Esperança Alves (
8134.3426/3231.5995/www.rodasrecriativas.blogspot.com)
- realização da Ong Mana-Maní e Programa Dance e Re-Crie o Mundo
Cursos - 11 a 15/Maio/2009
História da África a Amazônia Brasileira (Profª Drª Rosa Marin Azevedo)
História Social da Capoeira (Prof. Dr. Aldrin Moura de Figueiredo)
A Sala de Aula e os Desafios do Ensino da Religiosidade e do Sincretismo Religioso Africano (Profª. Drª. Anaiza Vergolino)
África Contemporânea: Sociedade e Cultura (Prof. Dr. Didier Lahon)
Regularização Fundiária em Áreas de Remanescentes de Quilombos (Prof. Dr. Jerônimo Trecani)
Políticas Públicas de Inclusão Social do Negro (Prof. Dr. Raimundo Jorge)
Oficinas - 11 a 15/MAIO/2009
Oficina de Artesanato
Oficina de Dança: Musicalidade, Samba e Tambores Africanos
Oficina de Música

Mesa Redonda - 14/maio/2009
Local: Teatro Maria Silva Nunes
Tema: A Lei 10.639/2003 a as suas Repercussões no Ensino e nas Políticas de Inclusão Sócio-cultural para Negros e Negras

Mesa Redonda - 15/MAIO/2009
Local: Teatro Maria Silvia Nunes
Tema: A História do Negro no Brasil e a África Contemporânea
Saiba mais...
Com Suzane Pereira/CVC-EGPA: 3214.6818/3214.6819

Quarteto Casanova lança 1º CD

Acontece no dia 30/04/2009, às 23 horas, no Malocão do SESI, o Show Baile e lançamento do primeiro CD do Quarteto CASANOVA.
Criada em 1997 a Banda Casanova – cujo nome foi inspirado na história do italiano Giacomo Casanova, grande conquistador que viveu no século XVIII –, era formada por amigos que tinham em comum o gosto pela boa música.
Em 10 anos de trabalho, passou por várias mudanças em sua formação e esteve presente em vários espaços de cultura musical do Amapá, do Pará e da Guiana Francesa, sempre conservando o objetivo inicial: oferecer ao público a oportunidade de entretenimento e lazer com a interpretação de músicas de qualidade superior.

Em 2008, após 10 anos de trabalho, uma nova mudança foi necessária e passou a chamar-se QUARTETO CASANOVA, integrado pelos músicos João Batera (Bateria e Voz), Wildson Bolacha (Baixo e Voz), Piska Marins (Teclados e Voz) e Cleverson Baía (Guitarra e Voz) e gravou o primeiro CD "THE BEST OF QUARTETO CASANOVA".

O Show Baile, que ocorre nesta quinta-feira, pretende oferecer à sociedade a oportunidade de se emocionar com sucessos musicais que embalaram sonhos e momentos especiais nas décadas de 70 e 80.

INFORMAÇÕES

Local: Malocão do SESI
Data e Hora: 30/04/2009 às 23:00h
Mesa: R$ 100,00 com direito a 1 CD
Contatos para vendas: 8111-0695 / 9133-3656 / 3222-2439
E-mail e MSN -
smcanto@msn.com

24 de abr de 2009

Um cuidar descuidado

Havia dias que passava pelo pátio e olhava de soslaio para o pé de crisântemos amarelos, plantados no vaso marrom de tintura corroída. Gostava dos vasos assim, feito fotos antigas, repletas de emoções e marcas. Os galhos e folhas secavam a olhos vistos e ela não compreendia.

Naquela noite, bem tarde, quando a casa estivesse mergulhada em silêncio, podaria os galhos e limparia as folhas secas. Mas, dias se passavam e ela deixava por conta do tempo. O que haveria de ser? Excesso de exposição ao sol... Talvez os exageros da chuva. De passagem, arrastou o vaso para a curva do pátio onde a sombra poderia abrigar as flores da luz frontal, deixando um rastro de terra preta no piso.

Era assim que lidava com a iminência da morte. Nunca soubera direito o que fazer com o fim das coisas. Tinha mania de eternidade. Ficava perdida, adiando as providências, as decisões, as atitudes. Era como se contasse sempre com o invisível para fazer por ela, o que rogava por seu único e insubstituível reconhecimento.

Os crisântemos a olhavam desalentados e ela os evitava. Mas sofria. Até que noite dessas, debaixo de um manto azul marinho bem escuro estendido sobre o infinito para enxugar o céu, pegou a tesoura de costura que nunca parava no mesmo lugar, e foi podar a planta agonizante. Agachou-se e passou a cortar os galhos esturricados e as folhas sofridas – dava dó cortar as flores. Parecia doença de dentro.

Seu fazer era desajeitado de todo, sem delicadeza. Tinha pressa em não ver as coisas assim. Era como se não acreditasse – e não acreditava, que pudesse ser fonte de socorro prestimoso, de auxílio proveitoso à vida ali em solvência. Fazia porque tinha dó, mas no cuidar sem crer punha toda a esperança de aprender.

Feita a poda, lembrou de revirar a terra em volta do serzinho frágil vestido de flores amarelas. Enfiou a tesoura longa pelas laterais do vaso afofando a terra preta enrijecida. Seria assim mesmo? Com a tesoura servia? Parecia-lhe mais uma agressão que um cuidado. Era assim que cuidava então?

A pressão no canto dos olhos anunciando o sono cutucava seus sentidos. Era tão tarde que a rua perdera o senso de viver. Olhou mais uma vez para os crisântemos desmilinguidos e quase pediu perdão a eles. Na verdade pediu. Por seu descaso, por sua ausência afetiva, por seus cuidados toscos, por sua falta de crer. Com os olhos pediu a eles que não morressem. Que lhe dessem mais uma chance.

Penalizava seu coração não mais ver o buquê amarelo colorindo o pátio. As delicadas pétalas finas e fartas projetadas para todos os lados como se fossem raios de pequenos sóis. Fechou a porta e carregou consigo aquele torpor que lhe ocorria sempre que se anunciava um pensar mais fundo sobre as coisas acontecidas. Chegara a hora de se encontrar com os adiamentos.

Caminhou até a varanda dos fundos da casa, olhou o quintal às escuras e deixou vir o choro represado. Não havia como contê-lo nessas horas. Tinha vida própria, ritmo acelerado e volúpia. Desmanchava suas defesas e desfazia a tinta das metáforas que ela pintava em torno de si mesma. Chorou ao Criador naquela noite... Não quero que eles morram... Não quero ser assim com as criaturas...



(Tela Fresh Mum, de Stefania Ferri)

22 de abr de 2009

Caminho de névoa

A brisa fresquinha entrava contínua pela janela do segundo andar que dava para a rua escura. Na sala branca, com cadeiras também alvas organizadas em volta de pequenas mesas verdes, ela derramou o corpo lentamente bem na direção do vento. Não sabia ao certo se aquele em que se encontrava era um estado de quase meditação ou de desistência.

Respirou fundo sem mexer um único membro do corpo. Quietude era o que pretendia. Quem sabe não ser vista por ninguém. Pediu o chá gelado e passou a folhear, como quem procura por nada exatamente, a revista à sua frente. Feng shui, horóscopo chinês, medicina ayurvédica, massagem tântrica... Nossa! Como é complicado ser simples, pensou. Não queria ler nada, tinha a mente exausta e buscava algo como uma... Fuga.

Parou a observar uma página inteira da revista tomada pela fotografia de um caminho de terra, feito curva sinuosa no fundo de um vale raso coberto de névoa. Havia o caminho, a grama e uma cadeira velha de madeira esquecida ao largo. Por cima, fechando em túnel incerto, copas entrelaçadas de enormes árvores. A imagem impressionante falava com ela em silêncio e a convidava.

Num insight viu-se sentada por décadas naquela cadeira velha esquecida à beira do caminho. Olhou a rua escura, voltou-se para a página e quanto mais olhava a fotografia, mais se sentia sugada para o fundo daquele cenário. Uma vontade sôfrega de partir pelo caminho de terra sem fim, nem começo. Caminhar feito os andarilhos que se perdem pelo mundo em busca de respostas. Mas, não queria as respostas. Queria o caminho limpo. Mergulhar na névoa.

A senhora quer mais gelo? Seu chá esquentou. Disse o rapaz sorridente e educado. Ah! Obrigada! Quero sim. Foi como roubar sua alma em fuga e trazê-la de volta antes que se perdesse. Não sabia se agradecia por isso, ou se resmungava ao rapaz. De toda sorte estava de volta à sala branca e percebia que havia música suave no ar. Fechou a revista devagar, sorveu o chá pensativa e guardou no baú das reminiscências a imagem do caminho de névoa.


(Tela Afternoon Tea , de Clement Micarelli)

20 de abr de 2009

Quanto a mim...

... Ando numa ausência de palavras que só vendo. Empresto uma história aqui, espio um recado ali, mas vontade de escrever da boa, nada. Talvez esses tempos de rios enchendo além da conta, chuva sem trégua nas folhagens do jardim - chega a furar a terra preta de tão forte que é, gastura de nostalgias nem tão antigas e deixadas logo ali. Sei lá, fato é que enquanto a vontade vai se aninhando no colo de uma tristeza conhecida, sigo como as borboletas de João Guimarães Rosa nas suas Noites do Sertão, “indecisos pedacinhos brancos piscando-se”. Logo volto.


(Tela On a Summer Day II, de Martin Irish)

Quanta enchente...

Os rios

Os rios que eu encontro
Vão seguindo comigo.
Rios são de água pouca,
em que a água sempre está por um fio.
Cortados no verão
que faz secar todos os rios.
Rios todos com nome
e que abraço como a amigos.
Uns com nome de gente,
outros com nome de bicho,
uns com nome de santo,
muitos só com apelido.
Mas todos como a gente
que por aqui tenho visto:
a gente cuja vida
se interrompe quando os rios.

João Cabral de Melo Neto

Estão abertas as inscrições para o Concurso Internacional DOCTV CPLP

Estão abertas as inscrições para o Concurso Internacional de Seleção de Projetos de Documentário do I Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa Estão abertas as inscrições para o Concurso Internacional – DOCTV CPLP. O lançamento oficial do Concurso Internacional DOCTV CPLP foi realizado no último dia 02, na Livraria Cultura, em São Paulo SP, dentro da programação do 14º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários.

O lançamento contou com a presença de representantes da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Empresa Brasil de Comunicação – TV Brasil, ABEPEC (Associação das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais), TVE Bahia e Fundação Padre Anchieta – TV Cultura.

O I Programa DOCTV CPLP reúne os oito países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Timor-Leste, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Portugal e Brasil) e Macau (RAEM - Região Administrativa Especial de Macau, China). Seus objetivos são o estímulo ao intercâmbio cultural e econômico entre os povos lusófonos e a implementação de políticas públicas de fomento à produção e teledifusão do documentário.

Trata-se de um modelo em rede, que busca sistematizar ações de capacitação, co-produção e teledifusão. Simultaneamente, cada país participante co-produz um documentário nacional e as respectivas emissoras de televisão promovem a teledifusão da série de documentários nacionais. Para participar do concurso, o autor do projeto deverá possuir nacionalidade relacionada ao país da candidatura e efetivar a inscrição online no site do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) de Portugal – IP (
http://www.ica-ip.pt), até a data de 21 de maio de 2009.

O DOCTV CPLP contemplará um projeto vencedor por país com um contrato de co-produção no valor de 50 mil euros. Além da participação do autor vencedor e seu produtor executivo nas Oficinas para Desenvolvimento de Projetos e Desenho Criativo de Produção, que reunirão os vencedores de todos os países com expoentes da realização e pensamento sobre o documentário. As oficinas serão realizadas em agosto de 2009, na cidade de Maputo, Moçambique.

O tema do concurso é livre. Mas, a criatividade na escolha do objeto, definição de estratégias de abordagem adequadas ao tema e viabilidade de realização dentro do orçamento e prazo previstos (180 dias) estão entre os critérios de avaliação.

O Concurso Internacional de Seleção de Projetos de Documentários do I Programa DOCTV CPLP está dividido em duas fases (candidatura e seleção) e envolve uma defesa oral por parte dos três finalistas indicados pela comissão julgadora de cada país. A divulgação dos projetos vencedores está prevista para 06 de julho de 2009.

Os documentários da Série DOCTV CPLP irão ao ar nas emissoras públicas dos nove países que integram a Rede DOCTV CPLP a partir do segundo semestre de 2010. Mais informações podem ser obtidas no site do ICA (
http://www.ica-ip.pt), pelo email doctv.cplp@ica-ip.pt ou pelos telefones 71 3116 7348, 71 3116 7479, 71 9624 0306 ou 71 9624 0277.


Unidade Técnica do I Programa DOCTV CPLP
Henrique Andrade – Coordenador
Henrique@irdeb.ba.gov.br
hadea@gmail.com
71 3116-7348
71 9624-0277

Fabíola Aquino – Assistente
fabiola.aquino@gmail.com
71 3116-7479
71 9624-0306

Macapá: Sesc traz comédia "De malas prontas"

O SESC traz a comédia irreverente “De malas prontas” (SC) em única apresentação no Teatro das Bacabeiras, dia 27 de abril, às 20h. Ingresso com preço único de R$ 3,00.

"De Malas Prontas”, da Cia Pé de Vento, de Santa Catarina é uma comédia irreverente, sem fala, que conta a história de duas mulheres obrigadas a compartilhar o mesmo banco de um aeroporto. No desenrolar do espetáculo se percebe que compartilhar não é tão fácil assim e os conflitos se sucedem velozmente até a situação chegar a um ponto sem retorno, e só há uma saída: a guerra.


Na verdade o espetáculo por onde voa impressiona por sua inquietude através de uma linguagem universal sem utilizar uma única palavra. Critica a irracional violência cotidiana, através da comédia, se fazendo compreensível pela brilhante atuação das atrizes Vanderléia Will e Andréa Padilha, que através de gestos, intenções e recursos circenses surpreendem com maestria a proposta do diretor espanhol Pepe Nuñez. Assistir este espetáculo não é só um bom divertimento mas um encontro com umas das mais surpreendentes comédias da cena nacional.


Palco Giratório

O projeto Palco Giratório foi criado pelo Departamento Nacional do SESC com o objetivo de difundir e descentralizar as artes cênicas no Brasil. Promove em média 170 apresentações a cada temporada de 60 dias – este ano serão quatro temporadas. A programação oficial acontece de abril a novembro. Foi realizada uma seleção com curadores que representam o Sesc em todo o Brasil com o intuito de selecionar 16 espetáculos de teatro e dança a partir de 90 indicados.

Oficina: A arte do Palhaço
(Modulo Iniciação)

Pepe Nuñes (diretor do espetáculo) ministrará a oficina “iniciação da arte do clown” (a arte do palhaço), no dia 26/04, das 9h às 13h e das 15h às 19h. São 20 vagas destinadas a atores dos grupos de teatro que prestam ou prestaram serviços aos projetos teatrais do Sesc Amapá.

Como diretor do espetáculo “De malas prontas”, Pepe recebeu os seguintes prêmios:

Melhor espetáculo pelo júri popular da Mostra Paschoal Carlos Magno do 17o. FUTB / Blumenau /SC, julho de 2003.
Melhor espetáculo pelo júri popular do 7º Festival Teatro de Americana/SP, agosto de 2003.
2º Melhor espetáculo mostra competitiva do 7º Festival Teatro de Americana/SP, agosto de 2003.
Melhor espetáculo mostra competitiva X Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente / SP, Set 2003.
Melhor espetáculo pelo júri popular X Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente / SP, Set 2003.
Melhor Direção p/ Pepe Nuñez X Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente / SP, Set 2003.
Melhor Direção p/ Pepe Nuñez X Festival Internacional de Teatro Isnard Azevedo, Florianópolis / SC, Nov 2003.



Juliana Coutinho da Assessora de Comunicação e Marketing SESC Amapá

Canção da vida

(Eudes Fraga / Sueidy dos Santos / Márcia Corrêa)

caminhos de amor
que deus criou
pra todos nós
fontes de paz
são como estradas de passarinhos
por toda vida tecendo ninhos
pelas manhãs claras de sol (2 vezes)

todo dia é de cantar, cantar
todo orvalho é de benzer, benzer
e toda luz é de agradecer

rima sem dor
fonte do amor que somos nós
tão imortais
folhas dançando na ventania
canção da vida, céu de alegria
nascem manhãs, asas de sol (2 vezes)

todo dia é de cantar, cantar
todo orvalho é de benzer, benzer
e toda luz é de agradecer


Voz e violão Eudes Fraga

(Na foto a jovem compositora Sueidy dos Santos)

19 de abr de 2009

Belém: “Dançando a Alma Afro-Brasileira"

Oficina de Danças Circulares com Lúcia Cordeiro

Foto: Guilherme Rosembaum


Um convite ao re-conhecimento vivencial de qualidades e valores éticos e lúdico-estéticos
de nossas raízes culturais africanas, que serão dançados ao som de cantigas tradicionais
e do repertório da música popular brasileira.

Uma abordagem que, muito além da tolerância, propõe uma cultura de valorização e compreensão de nossas tradições afro-brasileiras em suas amplas e valiosas contribuições à Vida - pessoal, social e ambiental.

No repertório da oficina, dançaremos:
A energia guerreira de OGUM;
A busca do conhecimento de OXOSSI;
A justiça e a responsabilidade de XANGÔ;
A doçura das águas de OXUM;
A autoridade feminina de YEMANJÁ;
A coragem e destemor de IANSÃ;
O dom de cura e regeneração de OBALUAIÊ;
O dom da paz e harmonia de OXALÁ...
além de outras qualidades-arquétipos que fazem parte da natureza – dentro e fora de nós.

Focalizadora

LÚCIA CORDEIRO/RJ – Jornalista com ampla formação e vivência na área da Dança – Moderna, Contemporânea, Étnicas e Tradicionais do Folclore Brasileiro, Rituais dos Cultos Afro-Religiosos, Danças Circulares Sagradas; Desde 1985 ministra workshops sobre Danças Populares e Sagradas Brasileiras, no Brasil e no exterior - Alemanha, Suíça, Áustria, EUA, Argentina; Focalizadora de Danças Circulares, no Rio de Janeiro, coordena programas de vivências e formação de focalizadores, em parceria com Patrícia Azariam; Ex-docente da Escola e Faculdade Angel Vianna-RJ; fez preparação corporal de 40 atores do elenco da mini-série “A Pedra do Reino”, de Ariano Suassuna, veiculada pela Globo em Junho/2007; e neste mesmo ano, em Porto Rico, representou o Brasil no Fórum Mundial Aliança para uma Nova Humanidade, criada e dirigida pelo médico e filósofo Deepak Chopra; membro do Conselho Internacional da Dança-CID/UNESCO.

Serviço
QUANDO – 02 e 03 de MAIO de 2009 – 08h00 às 18h00

LOCAL – EGPA – Escola de Governo do Estado do Pará – Av. Alte. Barroso, 4.314 – Souza - Belém/PA – Amazônia - Brasil

INVESTIMENTO – R$200,00: inscrições efetuadas até 24/ABRIL/2009
(Inclusos Kit didático: APOSTILA, CD e DVD)

ATENÇÃO!!!!
Inscrições posteriores dependerão da existência de vagas,
e terão acréscimo de R$35,00 (taxa do kit didático)

INSCRIÇÕES – com Augusta, no Ed. Metropolitan: Av. Conselheiro Furtado, 2391 - Sala 902 (entre Alcindo Cacela e 14 de Março);
_ ou através de crédito em conta: BASA – Ag. 007; C/C nr. 036.558-0; titular: Maria Esperança Alves Correa; confirmar o depósito e inscrição por e-mail:
esperanzza@manamani.org.br

COORDENAÇÃO – Esperança Alves (91)8134.3426 / (91)3231.5995
esperanzza@manamani.org.br

Realização





Imagem: Pablo Picasso


Programa Dance e Re-Crie o Mundo
Revelando e Celebrando a Po-Ética da Diversidade
www.rodasrecriativas.blogspot.com

Apoio

EGPA - Escola de Governo do Estado do Pará

Belém: Vem aí o 1º Festival Amazônia Doc

"O Rapto do Peixe Boi", do paraense Cássio Tavernard,
participa da Mostra Competitiva que acontece no Cine Olympia.
(Foto: Divulgação)

Belém vai respirar cinema entre os dias 22 e 26 deste mês. Longas, médias e curtas metragens, filmes de animação, filmes sobre comunidades, movimentos sociais, sobre costumes e identidades diversas invadem a cidade durante o 1º Festival Pan-Amazônico de Documentários – Amazônia Doc, que acontece paralelamente no Cine Olympia, Cine Líbero Luxardo, Instituto de Artes do Pará (IAP), Instituto de Ciências da Arte (ICA/UFPA), Fundação Curro Velho, Estação das Docas e Cine-teatro Maria Sylvia Nunes. A programação, inteiramente gratuita, pode ser conferida íntegra no site do Festival, www.amazoniadoc.com.

Neste período, aportam na capital paraense grandes nomes no cinema brasileiro e internacional – diferentes sotaques, olhares e culturas que durante cinco dias estarão voltados a uma nova maneira de pensar a Amazônia. Discutindo temáticas de cunho socioambiental, o 1º Amazônia Doc deve promover um grande panorama da produção audiovisual nessa macro-região que alcança nada menos que oito países da América do Sul - Brasil, Colômbia, Guiana Francesa, Venezuela, Suriname, Equador, Peru e Bolívia.
Nesta primeira edição, o Amazônia Doc vai contar com um júri internacional formado por sete membros. Eles serão responsáveis por decidir quem leva o Grande Prêmio “Augusto Ruschi”, que consiste na quantia de R$ 15 mil e mais o troféu “Amazônia”, entregues ao maior destaque dentre as produções apresentadas. A homenagem a Ruschi (1915 – 1986) não poderia ser mais cabida. Patrono da ecologia no Brasil, o cientista, agrônomo e naturalista dedicou sua vida à defesa veemente da natureza.

Durante a noite de encerramento do Festival, ainda será anunciado o nome do Homenageado Especial e a entrega de outros seis prêmios: Troféu “Amazônia Ouro” para o melhor longa-metragem; Troféu “Amazônia Prata” para o melhor média-metragem; Troféu “Amazônia Bronze” para o melhor curta-metragem; Troféu “Amazônia Arara Azul” para o melhor filme etnográfico; Troféu “Amazônia Peixe-Boi” para melhor técnico local, em votação secreta realizada pelo coletivo de audiovisual sob coordenação da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas do Pará (ABDeC-Pa); e Troféu “Amazônia Aruanã” para o melhor filme escolhido pelo júri popular, em votação secreta por um colégio eleitoral formado pelas platéias.

Serviço: O 1º Amazônia Doc acontece entre 22 e 26 de abril – de quarta a domingo – nos cinemas do IAP, Líbero Luxardo (Centur), Maria Sylvia Nunes (Estação das Docas) e Olympia. Inscrições gratuitas abertas para os seminários, workshops e oficinas paralelas. Confira a programação completa em www.amazoniadoc.com e ainda pelo telefone (91) 3243-1782.


(Ascom/ Amazônia Doc)

"Aprendendo a ser Feliz"

O seminário transpessoal "Aprendendo a ser Feliz" com o médico homeopata paraense Alberto Almeida, acontecerá dia 26 de abril no Centro de Convenções João Batista de Azevedo Picanço. Objetivos: apresentar conceitos em torno da felicidade; refletir sobre aspectos que fazem da felicidade uma ilusão; identificar as possibilidades da construção de uma felicidade real.

Hora: 9 as 13hs.

Investimento: 30,00

Venda de entradas: Banca do Dorimar, Sorveteria Jesus de Nazaré e Federação Espírita do Amapá.

Toda a renda do seminário será revertida para a Escola Jardim das Oliveiras-PA e para a casa Chico Xavier, vinculada à Federação Espírita do Amapá.

Haverá também, na noite anterior (25), às 20hs, uma palestra aberta no Teatro das Bacabeiras com o tema: "Construamos a paz, promovendo o bem".

Adriano Yared Lima

17 de abr de 2009

Projeto Botequim antecipado

O Projeto Botequim do SESC, na semana que vem, não acontecerá na terça-feira como de costume, mas sim na segunda-feira, 20/04, antecedendo o feriado do dia 21 (Tiradentes).

Quem se apresentará é Laudy Santarém e banda, cantando o melhor da música popular amapaense e brasileira no Sesc Centro (Rua Padre Júlio, esquina com General Rondon), a partir das 21h. Entrada franca.
Juliana Coutinho
SESC/AP - Serviço Social do Comércio

15 de abr de 2009

Em cartaz no Sesc o espetáculo infantil “Os magníficos”

Continua em cartaz o espetáculo infantil “Os magníficos”, da Trupe Show de Animação (AP). As apresentações acontecem todas as sextas e sábados do mês de abril, às 19h no teatro Porão (Sesc Araxá). A entrada é R$3,00.

Sinopse
O espetáculo retrata o dia a dia de um circo muito louco, onde a alegria prevalece e a tristeza passa longe! Malabaristas, acrobatas, equilibristas, os palhaços insanos e atletas do coração que deixam a vida do Senhor Apresentador de cabeça pra baixo, e esse faz de tudo para dar o troco nos dois palhaços com doses de alegria e muita diversão!

O grupo
Consiste na 1ª montagem do grupo que é formado por antigos e novos atletas do coração. O grupo se originou com a finalidade, de por alguns instantes, enxergar o mundo de outra maneira, o lúdico e o critico, com a vontade do fazer diferente e ascender mais às luzes da beleza e da diversão que é a arte circense.
O Sesc, através do curso de teatro, tem contribuído com o grupo no sentido da formação. Parte do elenco participou do curso de teatro 2008. Assim, o Sesc foi a fonte inspiradora para a formação do grupo e do espetáculo.

Ficha técnica
Autoria e Direção: Sandro Brito
Assistente de direção: Paulo César e Alexandre Campelo
Iluminação e sonoplastia: Trupe show de animação
Elenco: Lika d’Caprio, Samuel de Souza, Elden Melo, Francisco Wallan.
Apoio de cena: Maisa Trindade, Isaac Cardoso, Erivan Machado e Elaine Pudo.


Juliana Coutinho
SESC/AP - Serviço Social do Comércio

Programação da Nova Acrópole: Filosofia Clássica

Nova Acrópole Macapá

A Nova Acrópole é uma Associação Cultural internacional que já levou a mais de 40 países uma visão prática da Filosofia, voltada para o autoconhecimento, o entendimento das leis da Natureza e a prática de um estilo de vida mais autêntico e humano.
Atividades desenvolvidas na Biblioteca Pública de Macapá
Rua São José, 1800 - CENTRO
(96) 9131-4398
Horário de Atendimento: das 19h às 22h


Palestra


Sócrates, o Martir da Sabedoria
Prof. Cleverson Barata
Entrada Franca
Local: Biblioteca Pública, Rua São José n°1.800
dia 17/04 às 17h

Sessão de Vídeo

O Homem que Plantava Árvores
Profa. Patrícia Muniz
Entrada Franca
Local: Biblioteca Pública - Rua São José, 1800
dia 17/04, às 16h


Aula Inaugural

FILOSOFIA: A ARTE DE VIVER
Abertura de turma do curso de Filosofia à maneira Clássica
Profº: Cleverson Barata
Primeira aula gratuita
Dia 23/04, Quinta, às 19h.


Palestra

FILOSOFIA DA ÍNDIA ANTIGA
Profª: Alessandra Nogueira
Entrada Franca
Dia 25/04, Sábado, às 18h.


Palestra

O PODER TRANSFORMADOR DA FILOSOFIA
Profº: Cleverson Barata
Entrada Franca
Dia 29/04,Quarta, 19:30h.


9 de abr de 2009

Olhai os lírios

Quem me lê, falando em flores e jardins, pode até imaginar que sou jardineira das boas, daquelas que têm a disciplina de acordar cedo para cuidar e a beleza paciente de conversar com rosas, cravos e bichos minúsculos que passeiam entre folhas e a terra preta. Não é exatamente assim, mas bem que eu gostaria que fosse e trabalho meu espírito para atingir essa altura. No mais, gosto, aprecio e vez por outra me dano em cuidados com a vida que floresce inocente no pátio da minha casa.

Fico vesguinha quando passo em frente a uma floricultura ou visito o horto e mesmo diante de um jardim verdadeiramente cuidado. Quero logo pedir um pé disso, um pé daquilo, mudinha de rosa menina e essas coisas. Ah! Por falar nisso, quem tiver rosa amarela que se apresente e me dê de presente. Então, foi com os “zoim vesguim” que me perdi de amores por um pé de lírios cor de sangue. E na mesma proporção da paixão veio a decepção. Parece enredo de filme mil vezes reprisado.

Não com os lírios, imagine! Decepção comigo mesma. Cheguei toda boba com a moça da floricultura, um quiosque escondidinho num canto do supermercado. Que coisa mais linda! São lírios, disse ela. Como eles florescem, de que cuidados precisam? Não muitos, preferem a sombra e florescem uma vez por ano. Hum... Uma vez por ano é? Pôxa! Quero flores que nasçam o ano inteiro. Ela riu complacente... Ah! Temos aqui margaridinhas, crisântemos, rosas. Então vou levar as margaridinhas lilases e essa rosa menina meio amarelinha.

Saí de lá com uma sensação estranha, mas sem prestar muita atenção a ela. Em casa, no final da tarde, calcei luvas descartáveis surrupiadas do material de faculdade da Juliana, peguei uma colherona de cozinha – que não achei a pazinha de jardinagem, e fui cavar a terra dos vasos para transplantar as mudas novas. Nesses momentos de dedicação à terra, às plantas é inevitável a reflexão. Os pensamentos são sugados para uma zona de profundidade inatingível em horas comuns.


Aos poucos e com uma vergonha que subia à face em forma de suave formigamento, compreendi a inquietação que me acompanhara na saída da floricultura. Eu havia abandonado os lindos lírios cor de sangue simplesmente por não ser dotada de paciência para esperá-los florescer. Como se abandona um amor que ainda nem nasceu? Que espírito primitivo e insensível o meu. Alma boba que quer ver com os olhos da matéria o que pode ser cultivado com os olhos da alma a respirar pelo coração.

Murchei bem ali diante das alegres margaridinhas lilases e dos pequenos botões de rosas pálidas. Vou buscar os lírios pra mim.
(Tela: Lirio, de A. Vega)

Memorial do desejo

tem o corpo dobrado sobre si mesma
envolto em coberta de melancolia
sente a alma pairar suave
formando camada fluídica e macia

levita invisível colcha de retalhos
cada pedaço um sentimento
cada costura um pensamento
incontida vontade interposta


(Tela: Il Yous Aime, c'Est un SecretArt, de David Graux)

Em silêncio


mais fria que o silêncio
é a ausência de palavras
o silêncio é morada
as palavras não ditas
são o ermo da vontade

deixa ficar sem palavras
que o silêncio se basta
e a vontade que era tanta
sem rega, desencanta


(Tela: Skywatcher, de Susan Seddon Boulet)

7 de abr de 2009

Acalanto para Hanne

(Zé Miguel / Márcia Corrêa)

agora que navegas o manto de Deus
abre teus braços doce menina
ao vento imaculado
que sopra os lindos cabelos teus
ao sol de uma outra dimensão

agora que és leveza, sutil criatura
reconhece em ti a partícula primordial
acende a luz do coração
vagalume a brilhar
nas noites escuras
da nossa permanência

agora que és brisa sobre a folhagem
faz emergir de ti a melhor colheita
plantada aos cuidados de tuas mãos em afagos
à terra do Senhor

agora que vives além
faz renascer em tua alma branda
a paz e a ternura que ajudastes a semear
em nossos jardins enfermos

agora que és flor sem espinhos
empresta teu perfume
às consciências silentes
nos faz artífices da tua vontade luz

agora que estás entre nós em sentimentos
faz brotar da fonte viva da tua eternidade
as palavras que curam
o desejo que quer ser perdão

Voz, arranjos e instrumentação Zé Miguel

6 de abr de 2009

Contextura

(Marcos Quinan / Márcia Corrêa)

No meu pensamento
Instinto e sentimento
Páginas cerradas
Pedindo lenimento
No meu coração
Medo e solidão
Sabendo desistir
Sabendo ser razão
Na minha brandura
É que se costura
As mágoas e tristezas
De cada contextura
Rastros acanhados
Serão meus legados
Para o fim ser o começo
Dos sonhos calados


Violão, voz e percussão Eudes Fraga

5 de abr de 2009

Essa veio de encomenda


Abria a porta do guarda-roupa, afastava os vestidos e fingia ar de espanto. Ah! Meu Deus, mas o que é isso? Um presente! Que coisa mais linda que mandaram do céu pra mim! No fundo do armário ela arregalava os olhinhos e sorria com uma alegria tão inocente que enchia o quarto de luminosidade. E isso se repetia diariamente. Mãe, vamos brincar de presente do céu? E lá ia se esconder por trás das roupas. Até que um dia eu propus a brincadeira e ela respondeu: Ah, mãe! Eu tô grande pra caber aí dentro.

Tinha amigos invisíveis com os nomes mais estranhos, Alancta, Jamincto, Valanda e um ar de menina secular que deixava todos em volta assim meio reverentes. Tranqüila, conciliadora, silenciosa, pedia licença para tudo, até quando não devia. Um serzinho da paz... Janaina é seu nome, filha minha mais nova. Mas, êpa! O tempo passou, passou e não é que aos 12 anos ela resolveu virar a mesa? Mas não é um virar a mesa assim de qualquer jeito desajeitado, é um virar com estilo.

De tanta tranqüilidade escolheu um esporte para praticar, Muay Thai. Isso mesmo, uma luta que mistura luvas de boxe, chutões e socos. Quase morri. Mãe, preciso de luvas e calção. O quê! Calma, mãe, não é pancada pra valer. Mas, esse troço nem exige esforço da inteligência. Claro que sim, mãe, senão a gente apanha. É... Faz sentido. E lá vai ela toda paramentada para as “aulas” disso que pra mim não é coisa muito confiável.

Bem, essa criaturinha outrora só da paz, anda agora com umas idéias um tanto perigosas. Outro dia briguei com ela pela milésima vez por espalhar roupas, tênis e cadernos pelo meu quarto. Olhou pra mim de um jeito assombroso e disparou com voz baixa, pausada e incisiva: Mãe, às vezes tenho vontade de te espremer até te transformar num suco. Arg! Não agüentei, caí na risada. Que suco ruim ia sair disso eim?

Vai dos surtos vingativos aos apelos do sincretismo. Era sábado e ela havia acordado bem cedo. Depois do meio dia, na saída de um restaurante do centro da cidade, sonolenta, deitou a cabeça no encosto do banco e apelou: Mãe, quando a gente chegar em casa promete que vai me deixar dormir sem me encher o saco? Prometo, claro! Ah! Bom. Graças ao querido Jesus e àquela senhora chamada Iemanjá. Ham! Iemanjá? E o que ela tem a ver com isso? Sei lá, mãe, ela é minha xará... Quem sabe dá uma ajudinha.

E assim vai conseguindo o que quer. Até mesmo que eu esteja aqui hoje, à meia noite de uma véspera de dia de trabalho, escrevendo sobre ela. Tem umas semanas que entrou no meu quarto, se jogou na cama e saiu com essa: Mãe, escreve lá no teu blog sobre mim. Hum... Exatamente sobre o quê? Pegou o controle da TV apontou e antes de ligar, com aquele olhar displicente disparou: Sei lá, mãe... Escreve que sou linda, inteligente, maravilhosa... Essas coisas. Ligou a TV e desligou de mim. E modesta, ri baixinho.