30 de jun de 2009

Noite sem dia

Nas dobraduras do sono ela sonhava às escuras com medos soprados feito brisa pelas janelas sempre abertas dos corredores frios. Havia calor de amigos em volta da mesa farta da cozinha, mas a noite espreitava lá fora, num sem contar de tempo, absorvendo o dia por inteiro.

Reduzido em sua luz a um pingado de estrelas miúdas no longe do céu, o dia perdera sua força de clarear. E a noite dominava as varandas, deixando sobras de luz como réstias de uma saudade milenar a fustigar o desenho das sombras. Noite sem vento, sem tempestade, sem agonia. Apenas noite sem dia.


(Tela Moon Dance, de Alfred Gockel)

Bárbara Damas expõe "Entre Pontes" na Transa Amazônica Livros

Transa Amazônica Livros apresenta
Vernissage de Bárbara Damas
Entre Pontes
Dia 03 de julho
Às 18h30

29 de jun de 2009

Sonora Brasil traz violonistas Daniel Wolff (RS) e João Pedro Borges (MA) nesta terça

Nesta terça-feira, 30/06, o Sesc Centro apresenta os violonistas Daniel Wolff (RS) e João Pedro Borges (MA), através do projeto Sonora Brasil – Violão brasileiro “O violão nas regiões nordeste e sul”.

Dividido em quatro etapas, nesta primeira o Sonora Brasil – Violão Brasileiro apresenta ao público amapaense dois grandes violonistas que interpretarão em 70 cidades, obras de compositores que contribuíram significativamente para a consagração do violão como um dos instrumentos mais representativos da cultura do país, transitando em todos os segmentos da música, desde a tradição oral à música de concerto.

Serviço
Sonora Brasil
Quando: 30/06/2009
Onde: SESC Centro
Horário: 21h
Entrada franca

Os músicos já estão em Macapá e no dia 01/07 estarão se apresentando em Mazagão, na Unidade do SESC daquele município.

Juliana Coutinho

SESC/AP - Serviço Social do Comércio

Coletiva com Mafalda Minozzi e Zé Miguel

A cantora italiana Mafalda Minozzi fará show em Macapá no dia 03 de julho, na Choperia da Lagoa, ao lado do cantor e compositor Zé Miguel. Mafalda está encantada com a possibilidade de conhecer uma cidade no extremo norte do país. Para conhecer melhor a cidade e o artista com quem vai dividir o palco, Mafalda e seu guitarrista Paul Ricci decidiram chegar na cidade no dia 30 de junho. Para falar do show que estão preparando Zé Miguel, Mafalda Minozzi e Paul Ricci receberão a imprensa no dia 01 de julho às 15h30 no salão de eventos do Atalanta Hotel, localizado na Avenida Coaraci Nunes,1148, Centro.

Confirme sua presença: araciara.macedo@gmail.com
Telefones: 9971 9769 e 8129 7343

28 de jun de 2009

Pixinguinha - O criador da base da música brasileira

Alfredo da Rocha Vianna Junior, o Pixinguinha, nasceu no dia 23 de abril de 1897, no bairro Cidade Nova, Rio de Janeiro. Foi o músico brasileiro mais importante da primeira metade do século XX. Pixinguinha é o pai da música brasileira. Flautista reconhecido, compositor genial, maestro e arranjador.

Foi o criador da base da música brasileira, juntando o que de melhor temos: Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, entre tantos compositores de chorinho, com o ritmo africano, estilos europeus e a música negra americana, surgindo então um estilo genuinamente brasileiro. Seus arranjos, das marchinhas aos choros, marcaram a época de ouro da música popular brasileira. Pixinguinha tocava cavaquinho com 12 anos.

No ano seguinte, aos 13 anos tocava bombardino e flauta. Sua primeira composição, o choro "Lata de Leite", 1911, foi inspirado no costume que os boêmios tinham de beberem o leite deixado nas portas das casas quando retornavam das noitadas na alta madrugada. Aos 17 anos gravou suas primeiras composições, "Rosa" e "Sofres Porque Queres". Mais tarde passou a tocar saxofone.

Em 1922, patrocinado por um milionário, fez uma turnê pela Europa e o convívio com a realidade e a música lá fora transformaram sua carreira e enxertaram sua criatividade. Pixinguinha ficou conhecido como co-autor de grandes composições como "O Teu Cabelo Não Nega", de Lamartine Babo e "Taí", de Joubert de Carvalho, por compor as introduções das músicas.

Pixinguinha escreveu quase duas mil músicas. A mais conhecida , "Carinhoso", em parceria com João de Barro, foi em 1917. Pixinguinha morreu em 17 de fevereiro de 1973, de enfarte, dentro de uma igreja, durante um batizado em que seria padrinho.

Som & Tom – História da Música

Bárbara Damas: DeclaraCÃO

Querido "amigo",
Venho por meio desta, dizer que me sinto um cão sem dono, perdido pelas horas de sofá, em prece para que a rotina crescente saia depressa pela porta da frente que por vezes apontas para que eu passe já.

Obdias Alves de Araújo

estou assim, assim...
chuva de estio
azul do céu
vermelho de carmim
leão esfaimado
égua no cio
metade sou você
meio de mim

27 de jun de 2009

Estréia: Divino Encanto

Circuito alternativo no Amapá.
Estréia terça-feira, 30, no Teatro das Bacabeiras, às 12h30, com reprise quinta-feira,02, às 12h30. Na quarta-feira, 01, exibição no SESC Araxáàs19 horas.

O documentário aborda o misticismo que envolve os cantadores do Divino do sertão piauiense, um dos locais onde essa manifestação cultural e religiosa se mantém bastante presente como cultura no cotidiano dos moradores da região.

Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autor e Diretor: Luciano Klaus
Co-produção: Luciano Klaus Chroma Comunicação TV Antares ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais

doctv.cultura.gov.br

26 de jun de 2009

Poderes mágicos da música


China - Os antigos chineses acreditavam que a música possuía poderes mágicos, achavam que ela refletia a ordem do universo. A música chinesa usava uma escala pentatônica (de cinco sons), e soava mais ou menos como as cinco teclas pretas do piano. Os músicos chineses tocavam cítara, várias espécies de flauta e instrumentos de percussão.

Som & Tom – História da Música

Amapá: Reunião do Forum Estadual de Cultura

Aberto, qualquer pessoa pode ver e participar
Data: 03/07/09
Hora: 15:00
Onde: Faculdade Seama

Saga ecológica é sucesso mundial

Uma nova aventura infanto-juvenil está fazendo a cabeça de crianças e adolescentes ao redor do mundo. Depois dos fantásticos Harry Potter e O Senhor dos Anéis é a vez de Tobias Lolness – A vida na árvore cair no gosto da garotada. Tobias é um menino de 13 anos, que mede apenas 1,5 milímetros e vive com a família em uma árvore.

Dá pra ter uma idéia de que a história tem enredo ecológico, mas não só. O primeiro romance do escritor francês Timothée de Fombelle, recém-lançado no Brasil, também aborda questões sobre ciência, racismo, intolerância e política.

Serviço
Livro: Tobias Lolness – A vida na árvore
Autor: Timothée de Fombelle
Editoras: Pavio / Rocco
Preço: R$ 55,00

24 de jun de 2009

Fraldas impermeáveis podem expulsar as poluentes descartáveis do mercado


A empresa gaúcha Babyslings criou uma fralda para bebês ecologicamente saudável para as crianças e para o mundo. São fraldas de algodão com o fundo impermeável, em três tamanhos e com mais de cinquenta estampas diferentes. A novidade é que elas podem ser lavadas na máquina e evitam alergias na pele dos bebês, o que elimina as poluentes descartáveis.

Segundo a revista Bons Fluidos, edição de junho de 2009, uma criança usa em média 5.500 fraldas descartáveis nos dois primeiros anos de vida. Com as novas fraldas, a família pode economizar mais de R$ 2 mil nesse mesmo período. Cada fralda de algodão com fundo impermeável custa hoje R$ 17,50 e sessenta e cinco delas suprem a necessidade da criança nos mesmos dois anos.

Mais informações no site www.babyslings.com.br

Confraria Tucuju abre cadastro para Concertos de Verão

A Confraria Tucuju está recebendo artistas solo e grupos de música instrumental que queiram se cadastrar para participação no projeto Concertos de Verão 2009. As inscrições poderão ser feitas até o dia 15 de julho na sede da entidade, localizada à av. Mendonça Furtado, 100 – Largo dos Inocentes.
Os concertos terão início no dia 07 de agosto, primeira sexta-feira do mês. Os artistas e grupos musicais devem apresentar release do seu trabalho, fotos digitalizadas ou impressas e repertório do show com especificação dos compositores de cada música.

23 de jun de 2009

Show com a banda Harmoniosa, grátis no Bacabeiras

Entrechuvas

Marcar estava marcado, mas as horas nessa cidade passam ao sabor do vaivém das chuvas frondosas de final de inverno. Sim, o inverno do Brasil cá de cima está num custar de ir para deixar vir a torrente de energia solar que ilumina os dias de verão no Equador.

Enquanto isso a gente vai de espera em espera brechando os lapsos do tempo pra sair de casa entre uma chuva e outra. E foi num limpar de céu de meio de tarde que saí para encontrar minha amiga Ângela na charmosa livraria Transa Amazônica, bem no centro de Macapá.

Lugar de estacionar com paciência, pisar com cuidado e escapar das poças formadas no rente das calçadas incertas. Gente indo, gente vindo, caixa de som vendendo sapatos, uma animação só. Lá no fundo do corredor da galeria, no meio do quarteirão da av. Pe. Júlio, a livraria. E o furdunço da rua de repente fica tão longe que parece nem mais existir.

Antes a boa conversa de Ângela, livros, música, gente, arte... Depois a encomenda. Fui buscar o livro “Lugar da Chuva”, da escritora paranaense radicada no Amapá, Luli Rojanski. Presente para uma amiga nova, Jac Rizzo, que ainda não conheço pessoalmente. Coisas desse mundo mágico da Internet. E vou tagarelando enquanto Ângela esquenta o café e traz com bolachinhas salgadas e também põe pra tocar o CD do Lui Coimbra.

E aí vem o fio de pensamento que me trouxe aqui para essa croniqueta de fim de tarde. Vez por outra leio e ouço manifestações angustiadas, aflitas de pessoas que tem uma relação de amor e ódio com a Internet. Que a rede estabelece relações impessoais, que é um instrumento de afastar pessoas do contato pessoal, que os sites de relacionamento são lugares de exposição da vida privada e isso e aquilo.

Ouço e leio com atenção e até penso um pouco pra tentar entender essa angústia. Mas, sinceramente, não consigo levar muito a sério. As coisas começam na gente. Nosso olhar sobre o mundo e sobre as pessoas é que determina o como nos relacionamos com elas. Amigos de Internet não são anomalias de um mundo desumano e individualista. São sintonias que desenham possíveis afetos de um pra sempre que nem sempre demora.

Enquanto reflito faço o pacote com o livro de Luli, mais a obra poética “Oração de floresta e rio”, do poeta goiano radicado no Pará, Marcos Quinan. Penso com alegria no momento em que o presente chegará pelos correios às mãos de Jac, que mora no alto de uma paisagem pintada em uma janela do Rio de Janeiro. Nossas chuvas, floresta e rios estarão em boas mãos e sob a luz de sensíveis olhos. E um coração de longe vai se alegrar. É o que importa.

Doce Cantar

Música de Ana Martel

Do CD "Sou Ana"

Participações:

Patrícia Bastos

Andressa Nascimento

Diversão e arte para qualquer parte (e qualquer um!)

Você já tem programaçao cultural no proximo final de semana? Não? O Coletivo Palafita dá uma opção e traz nesta sexta-feira (26) os shows da banda Mini Box Lunar , do cantor amapaense Roni Moraes e a convidada internacional vinda direto do Equador, Andrea Ruilova. Onde? La no Espaço Aberto (Rua Tupis esquina com Jovino Dinoá- Beirol), a partir das 22h, com ingressos no valor de R$ 2,00.

A cantora e compositora equatoriana Andrea Ruilova que passou pelas terras tucujus anteriormente, faz uma segunda apresentação especialmente para a galera que acompanha a programação do Coletivo Palafita, trazendo toda sua sensibilidade vocal.

Andréa Ruilova teve sua formação nas cidades de Cuenca no Equador, em Havana, Cuba e no México, no período de 1987 e 2006. Possui Licenciatura em Jazz, concluído em 2007na Cidade do México. Está atualmente dinfundindo sua música, gravada no CD "Folhinha", no qual é cantora, compositora e diretora musical; e no CD gravado ao vivo na República Checa; também participa do quinteto de vozes e percussão Ollin Cuica.

Achou pouco? O Palafita realiza também a exposição de Carla Antunes, que mostra um pouco de seu trabalho de gravuras e desenhos.
É diversão e arte. O convite está feito!

Coletivo Palafita – Comunicação
Contato: 8127-8495

"Precisa-se de matéria-prima para construir um país"


“Como "Matéria Prima" de um País, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso País precisa. Esses defeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...”

Trecho do texto “Precisa-se de Matéria Prima para construir um país, de João Ubaldo Ribeiro, publicado integralmente no blog
www.abaribo.blogspot.com.

Nova Acrópole: programação da semana

Mini-Curso

Como Lidar com os Problemas

A diferença entre o sucesso e o fracasso Prof. Eduardo Rosa (de Brasília)
Os problemas fazem parte da vida, gostemos ou não. Então cabe a nós escolher se queremos vê-los como castigo ou oportunidade.
Investimento: R$ 50,00.
Inscrições pelos fones 9131-4398 e 8132-7288.
Dia 23/06, terça, das 19 às 22h.

Aula Inaugural

Curso de Filosofia à Maneira Clássica

Palestra "O que é a Filosofia à Maneira Clássica"
Esta palestra tem entrada franca e é uma apresentação do Curso de Filosofia da Nova Acrópole, que tem as disciplinas fundamentais de Ética, Sociopolítica e Filosofia da História.
Aulas semanais - curso em 5 meses.Turma única: quinta-feira às 19h, início dia 25/06.

Palestra

O Mito do Rei Arthur

Prof. Cleverson Barata
O que podemos aprender com a saga do Rei Arthur. Nesta palestra veremos o valor simbólico do mito.
Dia 27/06, sábado às 19h.
Associação Cultural Nova Acrópole Macapá
Endereço: Biblioteca Pública - Rua São José, 1800 - CENTRO
Horário de Funcionamento: Seg a Sab das 19-22h.
Fone: (96) 9131-4398
www.acropole.org.br

20 de jun de 2009

Ana Martel prepara CD autoral: Sou Ana


A cantora e compositora Ana Martel é a primeira artista amapaense a gravar um CD com incentivo da Lei Rouanet. O caminho para conseguir o financiamento foi longo, mas a conquista tem sabor de fruto maduro. A cantora está em fase de finalização do CD “Sou Ana”, que tem oito músicas de sua autoria e três de outros compositores. Um trabalho autoral e eclético, com marabaixo, samba, word music e o que se convencionou chamar de música regional.
O CD

A música que dá nome ao CD, “Sou Ana”, nasceu de um poema feito pelo compositor acreano Sérgio Souto em homenagem à cantora, que ganhou melodia de Enrico Di Miceli. Duas músicas são de Joãozinho Gomes e Val Milhomem e dos paraenses Marcelo Siroteu, Ubiratan Porto e Paulinho Moura. Mais oito canções compõem o álbum. Dessas, sete são só dela, letra e música, e uma é fruto de parceria com Zé Miguel.

O diretor musical Luiz Pardal foi fundamental na decisão do repertório mais autoral. Ele foi ouvindo, conhecendo e gostando do trabalho da compositora. No final definiu o repertório junto com ela, mas recomendando fortemente que suas músicas permanecessem no disco. Com todas as canções gravadas, o CD agora está em fase de mixagem.

“Sou Ana” foi todo feito com contrabaixo acústico e cordas. “E eu queria que ele soasse bem artesanal. As caixas de marabaixo estão límpidas. Não tem nada eletrônico”, explica a artista. O público pode esperar um repertório versátil, como a cantora se auto-define: “é um CD que é a Ana do Amapá, da Amazônia, uma pessoa versátil que canta de tudo”. Ana Martel conta com participações especiais das cantoras Andressa Nascimento, de Roraima e Patrícia Bastos, do Amapá.

O lançamento está previsto para agosto deste ano. Além da produção executiva de Paulo Andrade, o trabalho conta com a produção de show de Clícia Vieira e Claudiomar Silva. E tem Nayara Martel, filha da cantora, como responsável pela concepção do encarte, pela análise de repertório e pelos figurinos. A apresentação gráfica do CD é outro elemento que chama atenção pela qualidade e pelo requinte.

O projeto
Não é fácil captar recursos para um projeto cultural no Brasil, mesmo com anuência da Lei Rouanet. O produtor executivo de Ana Martel, seu marido Paulo Andrade, enviou ao Ministério da Cultura o primeiro projeto em 2005, que foi aprovado, mas arquivado por falta de patrocínio. Após aprovados pelo MinC, através dos mecanismos de incentivo da Lei, os projetos partem para a captação de recursos, e aí começa a maratona que raras vezes tem sucesso.

Uma vez aprovado, o projeto tem prazo de um ano, prorrogável por mais um, para captar recursos junto às empresas, que têm como contrapartida benefícios em forma de incentivos fiscais. Na segunda tentativa a produção da cantora amapaense conseguiu o patrocínio no limite do prazo, assim mesmo depois de idas e vindas e duas negativas iniciais. Foi aprovado pelo Ministério da Cultura o valor de R$ 58 mil para a gravação do CD, patrocínio integralmente liberado pela Eletrobrás.

“As empresas podem alegar qualquer coisa para não patrocinar. Tem empresas que fazem uma espécie de licitação para projetos culturais, só que cada uma faz a seleção à sua maneira. E é isso que a Lei Rouanet está querendo mudar. Abrir essa caixa forte. Ao invés da empresa direcionar a escolha, haveria uma fila única de projetos aprovados pela Lei que seriam patrocinados na sequência cronológica de sua aprovação. Não faz sentido a empresa aprovar algo que já foi aprovado pela Lei Rouanet”, explica Ana Martel.

A carreira
Foram mais de 25 anos de carreira até gravar o primeiro CD. “Se tivesse feito antes, talvez não ficasse tão feliz como estou agora”, revela Ana. As razões pela demora na gravação do primeiro trabalho são diversas. “Tem os percalços normais de todo mundo que mora no Norte do Brasil, no Amapá, que tem problemas de toda ordem e não consegue sobreviver da arte. Isso é fato. Mas, também tem a questão pessoal. Eu estava sempre em transição com relação à minha própria arte, se eu gostaria de fazer um CD só como intérprete ou um trabalho mais autoral”, explica.

O primeiro parceiro musical de Ana Martel foi o artista amapaense Zé Miguel, que musicou o poema “Óleo sobre tela”, feito pela cantora em homenagem à comunidade quilombola do Curiaú. A partir daí outros poemas e letras foram nascendo para novas parcerias. Ana Martel resolveu então criar suas próprias melodias. “Estudo violão para aperfeiçoar minha melodia. Tive que aprender a tocar para poder guardar aquilo que eu pensava”, conta ela. O processo criativo de Ana começa com o canto, que depois é adaptado para os acordes do violão.

Apesar de estar prestes a lançar um trabalho essencialmente autoral, a cantora pisa com cautela na nova fase, a de compositora. “Se eu tiver que me apresentar hoje, sou Ana Martel, cantora. Quero que primeiro as pessoas avaliem o meu trabalho para que depois eu possa dizer cantora e compositora. Não existe compositor sem o público que aprecia o trabalho. Temos que esperar sempre do público, ele é que diz se o seu trabalho vale à pena”, define Ana.

16 de jun de 2009

Canto de Casa

A partir desta sexta-feira, 19, o Sesc e AMCAP realizarão todas as sextas no Sesc Centro o projeto “Canto de Casa”. A entrada será R$10,00. As atrações nesse primeiro dia serão vários artistas amapaenses como Amadeu Cavalcante, Zé Miguel e outros.
Informações Juliana Coutinho

“Entre Percursos e Circuitos – Manobras da Arte”

Série Workshops Rumos Itaú Cultural Artes Visuais “Entre Percursos e Circuitos – Manobras da Arte” com Janaína Melo.
O programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais traz a Macapá a série de workshops com o objetivo de auxiliar na formação de profissionais da arte. O encontro, resultado do mapeamento feito em todo o país pelo Rumos Artes Visuais 2008-2009, conta com a participação de artistas, críticos, produtores culturais e pesquisadores. Além de Macapá, o programa visita mais 17 cidades brasileiras.

Programação:
Série Workshops Rumos Itaú Cultural Artes Visuais de 16 a 19 de junho de 2009. Horário: 14h às 18h

Arte aqui – discussão com os artistas locais sobre a produção, o mercado e as necessidades da produção local.
Arte Hoje – discussão sobre a relação da arte local com a produção de arte contemporânea no Brasil e no mundo.
Arte e pensamento crítico – debate sobre a crítica de arte contemporânea, as linhas de pesquisa e a produção do próprio palestrante.
Arte e Cultura – conclusão do trabalho desenvolvido voltado para a discussão da arte local com o panorama discutido nos dias anteriores.

Agenda cultural SESC

Quarta-feira, 17/06, exibição no CineSESC, às 19h do Doc TV IV – Documentário Passagem do Tempo (RS). Entrada franca

Sexta-feira, 19/06, Dia do Cinema Brasileiro – exibição às 19h no CineSESC do Filme Carlota Joaquina.

Toda sexta e sábado do mês de junho, às 20h, estará em cartaz no Teatro Porão o espetáculo Bent do grupo Desclassificáveis. Entrada R$10 (inteira)

Informações: Juliana Coutinho

Macapá: Semana de música

Ceumar solta a voz no Sr. Brasil e mostra novo álbum

A cantora mineira Ceumar é a convidada de Rolando Boldrin no Sr. Brasil de hoje, às 22h10, na TV Cultura. Com sua voz doce, porém marcante, fez o maior sucesso entre os críticos e o público com o lançamento, em São Paulo, do disco Dindinha (2000) produzido por Zeca Baleiro com participação especial de Itamar Assumpção e algumas canções de Chico César.

No programa, Ceumar se apresenta com os também mineiros Sérgio Pererê - coordenador do Bloco Oficina Tambolelê; e Miltinho Edilberto - cantor e multi-instrumentista, considerado um dos mais completos violeiros do país. No repertório, interpreta Oração do Anjo e Gira de Meninos.

O álbum Meu Nome (2009), produzido pelo músico e produtor holandês Ben Mendes, é o quarto da carreira da cantora e o primeiro totalmente autoral. Ela assina letra e música das oito faixas.

Sr. Brasil recebe ainda o cantor Bré que se apresenta acompanhado dos músicos Edson Alves (violão), Edmilson Capelupi (violão de 7 cordas), Milton Mori (bandolim).

Jornal Diário de Marília

15 de jun de 2009

Marina Silva critica Lula e Dilma: "Estamos num retrocesso"


Marina Silva - “Estamos num retrocesso”
Autor(es): Matheus Leitão
Época - 15/06/2009

A ex-ministra diz que a MP sobre terras na Amazônia foi a pior iniciativa do governo Lula até hoje.
Desde 2008, quando deixou o ministério do meio Ambiente para reassumir sua cadeira no Senado, Marina Silva nunca escondeu suas críticas ao governo Lula. Mas ela admite que nunca esteve tão decepcionada como agora. A Medida Provisória 458, em sua opinião, vai beneficiar grileiros e grandes proprietários de terras na Amazônia. Numa entrevista de mais de uma hora a ÉPOCA, Marina Silva não só criticou o governo, mas também fez uma avaliação negativa das noções de desenvolvimento da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula a sua sucessão.

ENTREVISTA - MARINA SILVA

QUEM É Aos 51 anos, mãe de quatro filhos, Marina Silva está em seu segundo mandato como senadora pelo PT do Acre. Nasceu no Seringal Bagaço, comunidade a 70 quilômetros de Rio Branco, a capital acriana. Alfabetizou-se aos 14 anos no Mobral, foi empregada doméstica e formou-se em história pela Universidade Federal do AcreO QUE FEZFoi ministra do Meio Ambiente do governo Lula. Em 2007, foi apontada pelo jornal britânico The Guardian como uma das 50 pessoas que podem salvar o mundo. Recebeu da ONU o prêmio Champions of the Earth.

ÉPOCA – O Brasil precisa da produção agrícola. O agronegócio é incompatível com o meio ambiente?

Marina Silva – Podemos triplicar a produção sem derrubar mais florestas. É só usarmos as tecnologias existentes hoje, como as da Embrapa. É possível evitar o uso predatório dos recursos naturais nas atividades agrícolas. É possível criar uma nova narrativa, sem satanizar os produtores. É a nova economia, a do século XXI. Ela corrige e previne erros. Temos de chegar ao século XXI.

ÉPOCA – O meio ambiente é um obstáculo ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)?

Marina – O PAC é importante e estratégico para o desenvolvimento do país. Agora, mais que acelerar o crescimento é dar qualidade ao desenvolvimento. Nem sempre crescer significa melhoria da qualidade de vida das pessoas. O PAC, em si, não pode ser definido como bom ou ruim, depende de como será feito. Há uma visão açodada, que encara as questões ambientais como ações protelatórias. Aí, ele passa a ser problema. O PAC é importante, mas é igualmente importante que as obras a serem feitas tenham a sustentabilidade ambiental.

ÉPOCA – Qual é sua opinião sobre a ministra Dilma?

Marina – Não gosto de reducionismo. De pegar uma pessoa e dizer que ela é responsável isoladamente. Agora, se você me perguntar se a ministra Dilma tem uma visão de sustentabilidade ambiental nos mesmos termos que eu, diria que não. Ela ainda tem uma relação muito forte com a visão tradicional e antiga de desenvolvimento.

ÉPOCA – No governo, a senhora teve vários embates com ela sobre isso. A visão dela está ganhando?

Marina – Existe uma visão desenvolvimentista no governo e na sociedade. O que foi feito, mesmo na minha gestão, foi apenas um pequeno começo. Temos de ter uma matriz energética limpa, renovável e segura, estradas com baixo impacto, produção de biocombustível certificada, produção agrícola e de carne certificada. O caminho é esse, não há atalhos. Há um processo em disputa no governo e na sociedade. Um setor do governo tem muita dificuldade de lidar com esse conceito. O transgênico pode existir, mas tem de coexistir com as sementes normais. Isso só é possível com rastreabilidade e armazenagem separada. Mas, quando você diz isso, pronto! Você é contra o transgênico e contra a ciência. Se você quer uma agricultura, pecuária, exploração de madeira de forma sustentável, é rotulado de ser contra o desenvolvimento e o progresso. Estão em luta duas mentalidades, atitudes e visões de mundo. Que desenvolvimento o Brasil quer?

ÉPOCA – Alguns afirmam que a regularização fundiária na Amazônia, a MP 458, abriu uma brecha legal para atuação dos grileiros. Qual foi o papel do governo nisso?

Marina – Foi a pior iniciativa do governo até hoje. A MP era ruim na origem e ficou pior no relatório do deputado Asdrúbal Bentes. Os ministros Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e Carlos Minc (Meio Ambiente) tentaram incluir salvaguardas, mas a proposta original já era ruim. As pequenas propriedades, de até 400 hectares, representam 80% do total, mas ocupam apenas 11,5% da área a ser regularizada. As médias e as grandes, que são apenas 20% do total, ocupam 88,5% da área. Permitiu-se que empresas e quem ocupa a terra por meio de prepostos sejam beneficiados. No projeto original, tanto o grande quanto o pequeno teriam de ficar dez anos, antes de poder revender.

ÉPOCA – A senhora disse que o dia da aprovação da MP foi o terceiro pior dia de sua vida. Por quê?

Marina – Foram mais de 30 anos de luta para evitar que a Amazônia virasse uma terra sem lei. Eu mesma vivenciei a luta de Chico Mendes para que o Acre não tivesse uma ocupação desordenada. O desmatamento do Acre hoje é em torno de 12% do território, enquanto em Rondônia é de 30%. Foi essa resistência que protegeu o Acre. Todo esse esforço não foi anulado, mas a MP não separou aqueles que apostaram na ilegalidade e na violência daqueles que têm direitos legítimos. Foi para isso que lutamos? Pensei em todos os que morreram lutando: Chico Mendes, irmã Dorothy, padre Josino. De 1999 a 2008, tivemos 5.384 conflitos de terras envolvendo 2,7 milhões de pessoas, 253 assassinatos, 256 tentativas de assassinatos e 1.377 ameaças de morte na Amazônia. A MP legitimou a grilagem de terra.

ÉPOCA – Por que a ofensiva está acontecendo agora? A senhora saiu do Ministério do Meio Ambiente dizendo que houve importantes avanços no setor. O que mudou?

Marina – Trabalhamos políticas estruturantes nos primeiros cinco anos. Diminuímos o desmatamento, que crescia de forma assustadora, de 27.000quilômetros quadrados em 2004 para 11.000 quilômetros quadrados em 2007. Apreendemos 1 milhão de metros cúbicos de madeira, o equivalente a um carro atrás do outro de São Paulo até o Rio de Janeiro. Mais de 700 pessoas foram presas. As estacas da legalidade estavam se firmando. Depois houve a reação e pressão para flexibilizar tudo. Começou dentro do próprio governo e em parte do Congresso.

ÉPOCA – As ofensivas coincidem com a gestão do ministro Carlos Minc?

Marina – Quando o ministro chegou, já havia uma tensão. O respaldo da sociedade deu ao presidente a chance de nomear um ambientalista. Deu fôlego ao governo. Depois houve uma avalanche contra o Ministério do Meio Ambiente. Uma proposta foi incluída na MP do Fundo Soberano – que caiu – que suspendia o licenciamento ambiental na ampliação de rodovias existentes. Outra medida foi a redução nas exigências de recursos para a compensação ambiental.

ÉPOCA – A senhora chegou a dizer que o ministro Mangabeira Unger fugiu do debate. O que quis dizer com isso?

Marina – O ministro Mangabeira é o coordenador do programa Amazônia Sustentável. Em várias oportunidades, foi convidado para vir às comissões tratar dos problemas da Amazônia. Não veio nem mandou representante. No dia da vigília, ele havia sido igualmente convidado, pois seria a entrega de 1 milhão de assinaturas pelo esforço dos artistas que se envolveram naquela mobilização, como Cristiane Torloni, Juca de Oliveira e Victor Fasano. Ora, quem está coordenando um programa de desenvolvimento sustentável para a Amazônia deveria estar interessado em receber esse respaldo. Os brasileiros não estão dizendo que querem a Amazônia como um santuário. Mas, sim, que há espaço para pecuária, agricultura, exploração florestal, turismo, uso da biodiversidade desde que se faça isso de forma sustentável. O ministro não veio.

ÉPOCA – Qual é sua principal divergência com ele?

Marina – Ele tem uma visão de que o que está hoje na Amazônia deve ser consumado e, daqui para a frente, se discute o resto. Não penso assim. Só podemos consumar o que é legal e certo. O que não é, vamos reparar. É assim que se faz o avanço institucional, o avanço civilizatório da humanidade. Estamos num retrocesso.

ÉPOCA – A senhora disse que o presidente Lula deu apoio a todas as medidas que resultaram em avanço. E agora? Ele está apoiando a ofensiva contra o meio ambiente?

Marina – Diante da gravidade do que está acontecendo, haverá necessidade de o presidente Lula puxar isso para si. Setores no Congresso Nacional propõem revogar a lei que criou a Política Nacional do Meio Ambiente, a lei que instituiu o Código Florestal Brasileiro e o decreto que trata do controle de poluição da indústria. Propõem revogar parcialmente o decreto que estabelece critério para o zoneamento ecológico e econômico e também a Lei nº 9.605, conhecida como lei de crimes ambientais, além do sistema nacional de unidades de conservação. Alguns setores se sentem à vontade para desconsiderar um esforço de mais de 20 anos. É uma ousadia. Querem mudar a lei, e não respeitá-la. O mundo inteiro olha para o Brasil. Se a MP 458 for promulgada como está, será um tiro de misericórdia em todos os avanços conquistados.

ÉPOCA – A senhora divulgou uma carta aberta ao presidente, algo público, mas foi alguém de confiança dele por muito tempo. A relação entre a senhora e ele está tão distante assim que não dá para dizer algo pessoalmente?

Marina – Nós nos conhecemos há 30 anos e temos uma relação de respeito, mas preferi uma carta aberta. Se a sociedade brasileira concordar, o presidente pode sentir respaldo para dizer: vamos vetar algumas partes. Os problemas não estarão todos resolvidos, mas será um atenuante. Tive uma experiência interessante no Congresso quando começou um movimento contra a mudança no Código Florestal. Quando o desmatamento foi para 29.000 mil quilômetros quadrados, o presidente Fernando Henrique Cardoso corajosamente editou a MP que aumentou a reserva legal de 50% para 80% da Amazônia. Depois, tentaram voltar atrás, mas eu recebi 35 mil e-mails. O palácio também. O presidente Fernando Henrique não cedeu. Ele se sentiu respaldado.

ÉPOCA – O ex-ministro Gustavo Krause disse que os ministros do Meio Ambiente tratam de uma questão central para a humanidade, mas periférica para os governos. Ele está certo?

Marina – Infelizmente, ela ainda é periférica para os governos, as empresas e vários setores da sociedade. Na crise econômica, várias empresas, como a Vale, cortaram a diretoria do meio ambiente. Esse debate não foi compreendido à altura. Os pesquisadores admitiram, em Bangcoc (Tailândia), que o problema do aquecimento global é dez vezes mais grave do que haviam anunciado. O Brasil pode liderar o processo de mudança. Há aí um paradoxo. Em plena ditadura, foi criado o Conama, um conselho deliberativo. O governo Sarney fez o programa Nossa Natureza, criou o Ibama, o presidente Fernando Henrique criou a lei de crimes ambientais, a ratificação das convenções da biodiversidade e do clima e a MP que aumentou para 80% a reserva legal na Amazônia. Aí, veio o presidente Lula, com plano de combate ao desmatamento, de Amazônia sustentável e mudanças climáticas. São processos cumulativos. É assim que se vai depurando a sociedade. O Brasil pode liderar a agenda ambiental e fazer jus à potência ambiental que é. O Brasil tem 45% de matriz energética limpa. Mas quem está liderando é a Inglaterra, com 4%.

Vanessa merece atenção


Como Rita Ribeiro, Ceumar e Vange Milliet, a paulistana Vanessa Bumagny é do clã de Zeca Baleiro e Chico César. Em seu segundo álbum, Pétala por Pétala (Universal), ela assina parcerias com os dois. O maranhense produziu o CD, mas a afinidade com ele e com o paraibano vem de longa data. Vanessa já foi da banda de Chico e também dividiu canções com ambos no primeiro álbum, De Papel (2003).

As referências são importantes para entender o diversificado universo sonoro da cantora. As influências são muitas, como ela mesma observa. Preconceito de gêneros, nenhum. Ciúme Não Mata é uma “guarânia meio mambo”, Roteiro tem “toques de tango”.

Cantora afinada e de timbre envolvente, Vanessa se descobriu compositora quando foi morar na Espanha nos anos 1990. De lá trouxe influências do flamenco que aparece em Alma Insensata, poema da galega Rosalia de Castro musicado por ela. Vanessa também é atriz, já cantou em banda de forró e musicou outros poetas espanhóis. Com esse histórico, poderia ser considerada mais uma dessas “ecléticas”. No entanto, o ouvinte interessado vai aos poucos identificar sua personalidade em cada detalhe do que canta. É notável seu crescimento de um CD para outro. Merece ser ouvida com atenção.


Jornal Zero Hora - Porto Alegre/RS

11 de jun de 2009

"És manhã na natureza das flores"

Amanhece a quinta-feira preguiçosa sob espesso manto de nuvens sisudas de guardar temporais. Manhã de silêncio na velha casa de meu pai. A paz ouve atenta o barulho da chuva forte, tão forte que arrepia tufos de vento e água invadindo o batente da porta do quintal. É linda a chuva assim desmedida. Faz a gente chover com ela por dentro, deixar vir a enxurrada de tudo que é sentimento, mergulhar na força viva do tempo.

Enquanto espio o quintal assim encharcado, meu coração pede música ao maestro das vivências, aquele ser invisível que sonoriza e conta nossa história em poesia e melodia, atando canções nas vestes da alma da gente. “A correnteza do rio / vai levando aquela flor / o meu bem já está dormindo / zombando do meu amor... e choveu uma semana / e eu não vi o meu amor”.

A mão conduzida pelo mistério apanhou sem ver o CD Djavan Novelas, trilha perfeita para a manhã que se insinua feito pausa no tempo.

A casa está repleta de meninas, um jardim de filhas, sobrinhas e amiguinhas. E todas dormem a preguiça da chuva enquanto preparo o café com sanduíches saborosos de forno. Com elas a atmosfera respira alegrias, risos, segredinhos, sonhos, fantasias... Tão bom! “Esse imenso desmedido amor / vai além de seja o que for / vai além de onde eu vou / do que sou / minha dor / minha Linha do Equador”.

Há uma mensagem escrita a lápis d’água em cor de luz no ar. As dores desse mundo serão varridas, as feridas que latejam a vida serão curadas e a Terra mãe sagrada acolherá o perdão em socorro dos homens. Até lá, a mesura da destruição. Até lá, o suplício da devastação. “Assim que o dia amanheceu / lá no mar alto da paixão / dava pra ver o tempo ruir... Amar é um deserto e seus temores”.

Até daqui a pouco é tão longe quanto longe é a imensidão da floresta. E enquanto penso em lonjuras os bem-te-vis vão surgindo pelas cordas, galhos do quintal e nos beirais do telhado. É assim sempre que a chuva sobe a cortina mais densa e deixa ficar aquele véu fininho em forma de chuvisco fazendo a alegria dos passarinhos. Eles fazem farra na goiabeira de cá e no mamoeiro da vizinha. “És manhã na natureza das flores”.

“E o que é o sofrer / pra mim que estou jurado / pra morrer de amor?”.

Manhã mais alta e a Flor sai do quarto numa felicidade só. Dorminhoca feito a dona, preenche o tapete fofo em forma de coração, costurado em retalhos vermelhos, enquanto Juliana dorme. Quando sai parece rir e dizer ‘cheguei!’. Vem fuçando o pé da gente com o narizinho gelado, depois pula no colo e põe os olhinhos pretos bem na direção dos nossos como quem quer falar.

Basta um gesto de retribuição e ela se derrama no chão com a barriguinha rosada para cima esperando afago. Flor é um ser elevado, comovente, mais que gente. Um anjo irradiador de felicidade disfarçado de bola de lã encardida. Sem ela por perto tudo se perde em melancolia. “Sorri quando tudo terminar / quando nada mais restar / do teu sonho encantador”.

Depois da chuva o calor, o dia que se movimenta. A sensação de acordar não do sono do corpo, que esse ficou nos confins da madrugada, mas desse estado d’alma que nos recoloca no mundo de um jeito delicado, mais completo e ao mesmo tempo mais sedento de delicadezas. “Veja o sol / é demais essa cidade / a gente vai ter um dia de calor...”.
Trilha
Correnteza (Tom Jobim e Luiz Bonfá)
Linha do Equador (Djavan e Caetano Veloso)
Oceano (Djavan)
Nem um dia (Djavan)
Meu bemquerer (Djavan)
Sorri/Smile (Charles Chaplin, G. Parsons, J. Turner - Vs. Braguinha)
Cigano (Djavan)

Primeira Noite Fora do Eixo em Macapá


Vinil Laranja faz show na Noite Fora do Eixo

Depois de sexta e sábado (12 e 13), ninguém mais vai poder reclamar de gripe na Terra do Nunca, afinal todos terão uma injeção de vitamina C. Após uma série de apresentações nas terras de seu Barack Obama, a banda paraense Vinil Laranja vai curar até gripe suína em Macapá City. Depois de se apresentarem no festival South By Southwest (SXSW), em Austin, Texas, a banda volta esquentando a “Noite Fora-do-Eixo” em Macapá, evento realizado pelo Coletivo Palafita.

A programação iniciará às 19 h, na Sede dos Escoteiros, localizada no bairro do Trem. Os ingressos custarão R$ 6. Além da Vinil, o primeiro dia da Noite Fora-do-Eixo, contará com as apresentações das bandas Godzilla, que recentemente lançou seu primeiro EP homônimo (em breve disponível para download), contendo cinco músicas; Stereovitrola (www.myspace.com/stereovitrola), que está produzindo seu segundo CD e a recente banda Fax Modem.


No segundo dia, será a vez das apresentações do cantor Roni Moraes, SPS 12 que está divulgando seu mais novo videoclipe “Recomeço”, a banda de death thrash, Marttyrium e Vinil Laranja que fará uma segunda apresentação, para fechar a noite. Andro Baudelaire (voz, guitarra), Saul Smith (guitarra), Bruno Folha (baixo) e André Thor Moicano (bateria), vão provar e honrar seu título de banda “mais sensual de Belém”. Antes de tocar no SXSW a Vinil se apresentou no Grito Rock Cuiabá, divulgando seu primeiro CD “Unfaceless bride”, lançado em 2008, pelo selo independente “Na Records” e por onde passa, conquista mais público e críticas, com sua performance rock and roll, irreverente e carismática.


Por Karen Pimenta
Coletivo Palafita – Comunicação
Equipe: Igor Reales; Jenifer Nunes; Karen Pimenta;
Ricardo Almeida;Ronaldo Filho; Sandra Borges

10 de jun de 2009

Zé Miguel apresenta show no Bacabeiras

Com uma nova formação na banda e um repertório renovado, o cantor e compositor Zé Miguel volta ao palco do Teatro das Bacabeiras nesta quinta-feira, 11 de junho. O evento acontece a partir das 20h30. Esse é o primeiro show do cantor, este ano, no Teatro das Bacabeiras e está sendo preparado com o carinho que o público do artista merece, carinho esse que já é peculiar nos espetáculos apresentados pelo cantor.

- Estava com saudades do palco do Bacabeiras. Artista é assim, não sabe ficar muito tempo distante do seu público. O Rudá Nunes está assinando a produção do projeto e, tenho certeza, quem aparecer por lá vai se encantar com o que estamos preparando.


Serviço

Show de Zé Miguel
Dia 11 de junho
Às 20h30
Ingressoa na portaria do Teatro das Bacabeiras
Informações pelo fone 8117 5757, com Rudá Nunes


Araciara Macedo

9 de jun de 2009

Estado d'alma

E a saudade a fez musgo na parede fria da casa antiga...

Sobre vôos


Chega primeiro a parte que pesa sobre seus próprios ombros. A outra parte, desatenta e leve, sempre se atrasa. Não presta atenção no tempo, sequer se dá conta da urgência do momento. Pensar, não pensa. Apenas ri e faz tudo parecer ensolarado.

A parte que pensa se antecipa, arruma tudo e quer o irretocável no comando das coisas. Vê o tempo com severidade e calcula cada centímetro da eternidade. Ávida por lucidez lê a vida como quem analisa pesares em telas de cristal líquido.

A parte que se atrasa precisa da complacência do tempo. Vem a pé ou de bicicleta, e se distrai pelo caminho a contemplar o vento. Quer chegar, mas não tem pressa e crê na eternidade como quem navega espiando as estrelas no firmamento.

A parte severa geme de dor, mas pinta telas foscas com a tintura da maturidade. Por outra, a que ri também chora ao mesmo ensejo do revelar do amor. É tosca de sentimentalidades. E de tanto que faz graça com o vento, perde vôo e não chega à tempo.


(Tela Woman with a Head of Roses, de Salvador Dali)

Processo seletivo para projetos culturais do SESC

O Sesc Amapá abre inscrições para dois projetos culturais da instituição:

IV Aldeia SESC Povos da Floresta
Propostas para apresentações em teatro, dança, circo, música, artes visuais e literatura.
Período de inscrição: 01 a 30 de junho
Local de Inscrição: Sala de Cultura/Sesc Araxá
Horário: das 08h às 12h e das 14h às 18h
Informações: Genário Dunas - telefone 3241-4440, ramal 257

Material necessário para inscrição:
Release.
Ficha técnica do espetáculo.
Nome dos integrantes com RG e CPF.
Nome do responsável (RG –CPF-PIS) para pessoa física ou razão social e CNPJ para pessoa jurídica.
Histórico do grupo ou artista
Registro Fotográfico.
Registro de imagens (gravação do espetáculo na íntegra ou cenas específicas).
Registro de áudio para a música.

Aldeia SESC povos da floresta
As Aldeias acontecem em todos os Regionais do SESC e formam uma rede de pequenos mercados autônomos, verdadeiros postos de trocas onde são encontrados, predominantemente, serviços e bens culturais originais e singulares, não produzidos em series ou copiados. São laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, vasos comunicantes do sistema produtivo.
É aglutinação dos movimentos artísticos locais, amadores, estudantes, trabalhadores e profissionais numa imersão de confraternização e troca de bens culturais. Espaço para a reflexão e a fomentação da criação e da produção local.

Realização
O período de realização da Aldeia SESC Povos da Floresta é de 21 a 28 de agosto de 2009, considerando o processo na íntegra envolvendo apresentações de espetáculos, debates, oficinas, workshop, palestras, shows musicais, cinema, artes plásticas e feira de artesanato.

Inscrições para oficinas
As inscrições para participar de oficinas, palestras e workshops dentro da IV Aldeia SESC Povos da Floresta, deverão ser feitas na central de atendimentos no período de 15 de Julho a 15 de Agosto 2008.

SESC Amazônia das Artes
As inscrição para o processo seletivo de artistas que queiram participar do projeto em 2010 acontecem até dia 30 de junho no Setor de Cultura do Sesc Araxá, telefone 3241-4440, ramal 257 (Genário Dunas).

O projeto está no segundo ano de execução e faz circular produtos culturais nos segmentos das artes cênicas, artes plásticas e música, entre os estados do Norte do Brasil, além de Maranhão, Piauí e Mato Grosso. É um grande intercâmbio cultural, fazendo trocar ideias entre os artistas, fortalecendo o fazer cultural dos estados envolvidos.

Documentação necessária: Release, registro de imagem, registro jornalístico, ficha técnica, cartazes, filipetas etc. O encontro anual que irá definir a programação de 2010 acontecerá em Julho do corrente ano.

Juliana Coutinho
Assessora de Comunicação e Marketing
SESC Amapá

Exposição Fotográfica "Olhar Ecológico II"

Durante todo o primeiro semestre de 2009 alunos de jornalismo da Faculdade Seama saíram a campo empunhando máquinas fotográficas, lentes e tripés. Todo esse equipamento foi colocado em campo para registrar imagens diversas de vários temas. “Aturiá: a força das águas”, “Micro-mundo: cores e mimetismo”, “Precariedade sobre a água: as ressacas de Santana”, “Latas: bom negócio ou necessidade?” e “Lixo hospitalar: riscos e procedimentos” são os temas que compõe a 2º edição da exposição Olhar Ecológico.

A exposição será aberta no dia 10 de junho, às 19h e vai até o dia 20, no SESC Centro, na Avenida Padre Julio. Buscando fomentar o debate sobre os problemas ambientais contemporâneos, os professores Alexandre Brito (Fotojornalismo) e Jacinta Carvalho (Jornalismo Ambiental) orientaram os discentes a desconstruir a visão convencional que toma como meio ambiente apenas fauna e flora desconsiderando as pessoas, construções e até mesmo o lixo.

“Mesmo estando no meio da Amazônia Legal, os amapaenses ainda não tem o costume de se preocupar com o meio ambiente e assim, como os que não fazem parte desse universo, estereotipam a vida ribeirinha, por isso a necessidade de levar através da fotografia essa visão mais abrangente da situação ecológica de hoje”, comenta a professora Jacinta Carvalho.
Karen Cardoso
Assessoria de Imprensa

7 de jun de 2009

Farinha pouca, meu pirão primeiro

Manifesto dos documentaristas do Amapá

O audiovisual é um forte instrumento de resgate e de acervo de uma realidade histórica e social. É através dele que documentamos a trajetória de um povo e suas conquistas. O mundo tem muito que conhecer e reconhecer a partir de suas inúmeras possibilidades. E esse nosso gigante lençol verde que é a Amazônia tem uma gama infindável de temas a mostrar.

O problema é que o olhar de quem aqui vive e reconhece a importância desses focos nunca é valorizado por quem detém o poder das políticas públicas. Elegemos os nossos representantes e estes elegem outros realizadores para filmar em nosso quintal e levar a pouca verba que também deveria servir aos nossos propósitos documentais. Nada contra esses realizadores. Que bom que eles nos prestigiem mostrando nossa gente e nossas belezas naturais.

O senador José Sarney abre as burras e saca dois milhões, a deputada federal Dalva Figueiredo comparece com trezentos mil e a cineasta Tizuka Yamazaki filma parte de seu longa-metragem Amazônia Caruana lá pros lados do Araguari. Que bom mesmo! Ela trouxe a sua equipe e somente meia-dúzia de gatos pingados daqui irão participar, carregando equipamentos na locação. Quem sabe poderão aprender com eles alguma nesga de suas experiências?

Agora, perguntamos: será que isso está certo? E o nosso pirão? Quem nos dera ter pelo menos um pouco do cuí dessa farinha! Uns poucos e minúsculos bagos, mesmo que fosse a sobra do fundo da saca. Somos nós que trabalhamos por este lugar e elegemos os representantes legais e são outros que levam a saca cheia? Esperamos que a nossa tribo esteja inserida no projeto Tainá III anunciado por seus produtores e pelo Governo do Estado. Tomara que possamos participar do processo e não nos deixem de fora, com nossas bundas ao alcance de suas lentes refinadas e com cara de quem está feliz com essa patuscada oficial.

Um dia, um amigo chegou à conclusão de que a “política é para quem tem coragem”. Aviso aos navegantes: quando nos pintamos para a guerra, nossos irmãos tucujus se vestem dessa mesma coragem. Decência e bom senso é que cobramos nessa batalha. Achamos que, em vez de ignorados, deveríamos ser olhados como o que somos: aliados e principais interessados na batalha pelo audiovisual.Temos consciência do nosso valor e queremos o diálogo. Não queremos guerra, mas estamos lutando pelo espaço a que temos direito.

ABDeC / APAssociação Brasileira de Documentaristase Curtametragistas do Amapá

Nota pública contra o desmonte da política ambiental brasileira

http://www.greencartoon.blogspot.com/

As organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm a público manifestar, durante a semana do meio ambiente, sua extrema preocupação com os rumos da política socioambiental brasileira e afirmar, com pesar, que esta não é uma ocasião para se comemorar.

É sim momento de repúdio à tentativa de desmonte do arcabouço legal e administrativo de proteção ao meio ambiente arduamente construído pela sociedade nas últimas décadas.
Recentes medidas dos poderes Executivo e Legislativo, já aprovadas ou em processo de aprovação, demonstram claramente que a lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável.

1. Já em novembro de 2008 o Governo Federal cedeu pela primeira vez à pressão do lobby da insustentabilidade ao modificar o decreto que exigia o cumprimento da legislação florestal (Decreto 6514/08) menos de cinco meses após sua edição.

2. Pouco mais de um mês depois, revogou uma legislação da década de 1990 que protegia as cavernas brasileiras para colocar em seu lugar um decreto que põe em risco a maior parte de nosso patrimônio espeleológico. A justificativa foi que a proteção das cavernas, que são bens públicos, vinha impedindo o desenvolvimento de atividades econômicas como mineração e hidrelétricas.

3. Com a chegada da crise econômica mundial, ao mesmo tempo em que contingenciava grande parte do já decadente orçamento do Ministério do Meio Ambiente (hoje menor do que 1% do orçamento federal), o governo baixava impostos para a produção de veículos automotores. Fazia isso sem qualquer exigência de melhora nos padrões de consumo de combustível ou apoio equivalente ao desenvolvimento do transporte público, indo na contramão da história e contradizendo o anúncio feito meses antes de que nosso País adotaria um plano nacional de redução de emissões de gases de efeito estufa.

4. Em fevereiro deste ano uma das medidas mais graves veio à tona: a MP 458 que, a título de regularizar as posses de pequenos agricultores ocupantes de terras públicas federais na Amazônia, abriu a possibilidade de se legalizar a situação de uma grande quantidade de grileiros, incentivando, assim, o assalto ao patrimônio público, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal. Ontem (03/06) a MP 458 foi aprovada pelo Senado Federal.

5. Enquanto essa medida era discutida - e piorada - na Câmara dos Deputados, uma outra MP (452) trouxe, de contrabando, uma regra que acaba com o licenciamento ambiental para ampliação ou revitalização de rodovias, destruindo um dos principais instrumentos da política ambiental brasileira e feita sob medida para se possibilitar abrir a BR 319 no coração da floresta amazônica, com motivos por motivos político-eleitorais. Essa MP caiu por decurso de prazo, mas a intenção por trás dela é a mesma que guia a crescente politização dos licenciamentos ambientais de grandes obras a cargo do Ibama, cuja diretoria reiteradamente vem desconhecendo os pareceres técnicos que recomendam a não concessão de licenças para determinados empreendimentos.

6. Diante desse clima de desmonte da legislação ambiental, a bancada ruralista do Congresso Nacional, com o apoio explícito do Ministro da Agricultura, se animou a propor a revogação tácita do Código Florestal, pressionando pela diminuição da reserva legal na Amazônia e pela anistia a todas as ocupações ilegais em áreas de preservação permanente. Essa movimentação já gerou o seu primeiro produto: a aprovação do chamado Código Ambiental de Santa Catarina, que diminui a proteção às florestas que preservam os rios e encostas, justamente as que, se estivessem conservadas, poderiam ter evitado parte significativa da catástrofe ocorrida no Vale do Itajaí no final do ano passado.

7. A última medida aprovada nesse sentido foi o Decreto 6848, que, ao estipular um teto para a compensação ambiental de grandes empreendimentos, contraria decisão do Supremo Tribunal Federal, que vincula o pagamento ao grau dos impactos ambientais, e rasga um dos pontos principais da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, assinada pelo País em 1992, e que determina que aquele que causa a degradação deve ser responsável, integralmente, pelos custos sociais dela derivados (princípio do poluidor-pagador). Agora, independentemente do prejuízo imposto à sociedade, o empreendedor não terá que desembolsar mais do que 0,5% do valor da obra, o que desincentiva a adoção de tecnologias mais limpas, porém mais caras.

8. Não fosse pouco, há um ano não são criadas unidades de conservação, e várias propostas de criação, apesar de prontas e justificadas na sua importância ecológica e social, se encontram paralisadas na Casa Civil por supostamente interferirem em futuras obras de infra-estrutura, como é o caso das RESEX Renascer (PA), Montanha-Mangabal (PA), do Baixo Rio Branco-Jauaperi (RR/AM), do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi (PR) e do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Pelotas (SC/RS)

Diante de tudo isso, e de outras propostas em gestação, não podemos ficar calados, e muito menos comemorar.

Esse conjunto de medidas, se não for revertido, jogará por terra os tênues esforços dos últimos anos para tirar o País do caminho da insustentabilidade e da dilapidação dos recursos naturais em prol de um crescimento econômico ilusório e imediatista, que não considera a necessidade de se manter as bases para que ele possa efetivamente gerar bem-estar e se perpetuar no tempo.

Queremos andar para frente, e não para trás. Há um conjunto de iniciativas importantes, que poderiam efetivamente introduzir a variável ambiental em nosso modelo de desenvolvimento, mas que não recebem a devida prioridade política, seja por parte do Executivo ou do Legislativo federal.

Há anos aguarda votação pela Câmara dos Deputados o projeto do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) Verde, que premia financeiramente os estados que possuam unidades de conservação ou terras indígenas. Nessa mesma fila estão dezenas de outros projetos, como o que institui a possibilidade de incentivo fiscal a projetos ambientais, o que cria o marco legal para as fontes de energia alternativa, o que cria um sistema de pagamento por serviços ambientais, dentre tantos que poderiam fazer a diferença, mas que ficam obscurecidos entre uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e outra. E enquanto o BNDES ainda tem em sua carteira preferencial os tradicionais projetos de grande impacto ambiental, os pequenos projetos sustentáveis não têm a mesma facilidade e os bancos públicos não conseguem implementar sequer uma linha de crédito facilitada para recuperação ambiental em imóveis rurais.

Nesse dia 5 de junho, dia do meio ambiente, convocamos todos os cidadãos brasileiros a refletirem sobre as opções que estão sendo tomadas por nossas autoridades nesse momento, e para se manifestarem veementemente contra o retrocesso na política ambiental e a favor de um desenvolvimento justo e responsável.

Brasil, 04 de junho de 2009.

Assinam:
Amigos da Terra / Amazônia Brasileira
Associação Movimento Ecológico Carijós – AMECA
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI
Conservação Internacional Brasil
Fundação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional – FASE
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – FBOMS
Fórum das ONGs Ambientalistas do Distrito Federal e Entorno
Greenpeace
Grupo Ambiental da Bahia – GAMBA
Grupo Pau Campeche
Grupo de Trabalho Amazônico – GTA
I.E.S/SP
Instituto das Águas da Serra da Bodoquena - IASB/MS
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM
Instituto Socioambiental – ISA
Instituto Terra Azul
Mater Natura
Mira-Serra/RS
Movimento de Olho na Justiça – MOJUS
Rede de ONGs da Mata Atlântica
Sociedade Brasileira de Espeleologia
The Nature Conservancy – TNC
Via Campesina Brasil
WWF Brasil

6 de jun de 2009

Alan Yared faz show no Teatro das Bacabeiras em Macapá

O cantor e compositor amapaense Alan Yared apresentará na próxima quarta-feira (10), às 20:30h no Teatro das Bacabeiras, o show “Terra, um canto de Paz”. No evento, o artista fará parcerias com o Zé Miguel, Nivito Guedes, Cleverson Bahia, Karol, bandas Afro Rap e Dezoito 21. A entrada custará R$ 12. Parte da renda arrecadada será doada para a creche Irmã Carmela Bonassi, no bairro Marabaixo, Zona Norte de Macapá.

"Cantarei músicas de minha autoria e outros compositores regionais e do circuito nacional, meu objetivo será transmitir paz, amor, solidariedade e consciência ambiental", afirmou Alan Yared. O artista nasceu em Macapá, foi um dos precursores do movimento de rock na capital com a banda Ura; integrou a banda Flor de Laranjeira com uma proposta regional. Iniciou a carreira de compositor no ano 2000. Em 2004 realizou uma turnê pelo Estado com o show Tributo a Legião Urbana. Em 2005 integrou o grupo Imã e ganhou o festival “Sescanta”, promovido pelo Sesc/AP. Apresentou-se no festival autoral “O Grito do Rock em 2006. Em 2009 lançou o CD single “Sai fora Tio Sam”, a música foi executada em rádios de São Paulo (SP) e Belém (PA).


Fonte: Portal Amazônia

Macapá: Espetáculo "Bent" volta ao palco do Teatro Porão do Sesc


O espetáculo teatral “Bent” é o primeiro a mostrar a situação dos homossexuais nos campos de concentração nazistas durante a II Guerra Mundial. A montagem de 1h40min apresenta um teatro contemporâneo e transformador, levando o público a interagir com as situações de humilhação e desconforto apresentadas pelos atores em cena.

A montagem entrou em cartaz pela primeira vez em novembro de 2008. Por se tratar de um texto polêmico, os atores tinham receio de que o público não se identificasse com o texto. “No início, as pessoas ficaram impactadas com a proposta. Especialmente por conta dos elementos cênicos, muitas cenas na penumbra e outras com efeitos de luz. Acho que essas características ajudaram ‘Bent’ a ganhar um ar mais intimista”, declarou o ator Sandro Brito, que na peça dá vida ao personagem Horst.

Sandro Gemaque interpreta Max, protagonista da peça e vê na montagem um importante mecanismo de conscientização. “A abordagem adotada no espetáculo não faz apologia ao homossexualismo por que os personagens não são estigmatizados. Mas cria uma linguagem de combate à discriminação, quando aborda a diversidade”, disse o ator. Gemaque recebeu o prêmio de Melhor Ator em 2008 pela atuação em “Bent”. O prêmio foi concedido pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos (SATED – AP).

Desclassificáveis

O grupo é composto pelos atores Sandro Gemaque, Sandro Brito, Madson Souza, Anderson Pantoja, Gabriel Taz e Taynara Uchôa. O espetáculo tem a direção de Paulo Alfaya e fica em cartaz durante todo o mês de Junho, sextas e sábados ás 20h no Teatro Porão do SESC Araxá. Ingressos: R$ 8,00 (inteira) e para estudantes R$ 4,00 (meia).


Informações de Chico Terra

Violonista piauiense se apresenta em Macapá

O projeto Seac Amazônia das Artes apresenta o violonista piauiense Erisvaldo Borges na próxima segunda-feira (8), às 20h, no Sesc Centro de Macapá. A entrada será franca.
Erisvaldo Borges obteve seu aprendizado musical em 1987, por conta própria, orientando-se por livros e gravações. É formado em Educação Artística pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e pós-graduado em Docência do Ensino Superior. Apresentou-se em inúmeras cidades do país, em cinco países da América Latina - Venezuela, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador e Honduras, além disso, gravou 11 CDs e escreveu dois livros sobre a arte de tocar.
Juliana Coutinho.
Assessora de comunicação do Sesc/AP

5 de jun de 2009

Rainha das nuvens


Num reino distante cercado por desertos de nuvens resistia viva a rainha solitária e nua. Trazia na cabeça chapéu de fitas coloridas e percorria sem sorrisos os caminhos ocultos de seu reino azul. Há séculos havia mandado embora todos os súditos; não lhe aquecia o coração a idéia de ter a seus pés outros seres pensantes sem autonomia para pensar.
Mesmo sob a ameaça assombrosa da solidão, permanecia.

Guerreava com armas de lucidez contra os exércitos poderosos da vaidade e do orgulho, que atravessavam invernos por entre as nuvens densas dos desertos. Queriam conquistar seu reino azul, mas ela resistia. E era tanta sede por lucidez e tantas batalhas por travar que a rainha nua abandonava pelo caminho, sem perceber o perigo, seu manto colorido de alegria, ornado com finos fios de jovialidade.

Até que um dia, tomada de espanto, viu-se abandonada ao frio da noite de ventania. Buscava agasalho no manto que desaparecera, e ainda que lhe restasse o chapéu de fitas coloridas, feito em tramas da mesma alegria, não lhe era mais suficiente para cobrir de calor a noite fria. Tal foi seu assombro, que ela cobriu o rosto num quase desespero e viu suas lágrimas brotarem de um além-dor que a consumia.

...

Agora, trazia a ilusão em forma de pedra pendurada num colar de contas de sal, que lhe descia pelo pescoço até a altura dos seios. Apertou-a nas mãos e sentiu por um instante que os exércitos do orgulho e da vaidade já não mais representavam ameaças vorazes. Estavam enfraquecidos, guardados no passado enclausurado nas contas de sal. Restava-lhe uma nova e longa cruzada, desta vez em busca do manto perdido.

Jac Rizzo: Canção sem pudor


Guardei os teus beijos
por puro guardar
pra lembrar

Depois fui colecionando
abraços
afagos
olhares
E nesse afã
até o gosto guardei
de certas manhãs
Guardei até os trejeitos

Na pele
sinto ainda
arrepios

rubores no rosto
odores
guardei a voz
os suspiros
guardei teu doce sorriso
Os beijos
foi só pra tê-los
no anoitecer dos desejos


Jac Rizzo

(Tela: Schirakka, de Renato Casaro)

1 de jun de 2009

A menina e o vento


Se eu me apaixonar?
Terá valido a pena.
E se não me apaixonar?
Terá sido uma pena.
Se ele se apaixonar?
Será um caminho de ida.
E se ele não se apaixonar?
Um atalho de volta.
E se nós nos apaixonarmos?
Será uma rara conjunção astral,
nascida de um plano sideral.
Um decreto divino a irradiar luz.

É suficiente ir?
Ir, sentir e vivenciar cada instante.
Sem espreitar o depois?
O depois é insólito até que ocorra.
Então, o depois não existe?
É insondável herança cósmica.

(Imagem: Paul Chesley)