16 de dez de 2008

Pé de silêncio

Há um pé de silêncio
Plantado em único vaso
No batente da janela
Do meu pensamento

É noite e a sombra pesa
Sobre a única e rara flor
Bem no alto do fino caule
Do pequeno pé de silêncio

É branca a flor do silêncio
E sua alva serenidade
Mergulha feito um farol
Na emergente madrugada

No pátio vazio e sem vento
O tronco demasiado antigo
Da árvore dos sentimentos
Recolhe o calor da enxurrada

Frestas lanhadas de chuva
Retorno ao inverno do tempo
Regando tristeza frondosa
Ao sabor do pé de silêncio

Márcia Corrêa

(Tela: Afternoon Dreams, de Consuelo Gamboa)

2 comentários:

Vássia Silveira disse...

Maravilhoso, Márcia! Acho que depois disso, posso afirmar que também trago comigo "um pé de silêncio"...

Márcia Corrêa disse...

Acho que fazemos parte da safra de almas que cultivam pés de silêncio... já nossas filhas (não sei as suas) plantam florestas de barulho... rsrsrs