16 de dez de 2008

Sombra e precipício

Não há laços possíveis
Entre o coração e a vontade
Enquanto o desejo feito vício
Arqueia os ombros sentado
Á sombra do precipício

Entre a névoa da madrugada
E o vacilante sol invernal
Residem temporais no olhar
Inundando de vazio e sal
Pálpebras acolhidas de mar

Quando vem de vez a manhã
Cerrando as cortinas da noite
No palco bêbado e sombrio
Resta solitária a dor de alguém
Diante da platéia de ninguém


Márcia Corrêa

(Tela September Morn, de Paul Chabas)

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