15 de abr de 2010

Talento da música paraense lança primeiro disco

Filha de pescador, Cristina Caetano começou a cantar na adolescência

Ao iniciar sua carreira como intérprete da banda do músico santareno Paulinho Jofre, Cristina Caetano jamais poderia imaginar que, 20 anos depois, lançaria seu 1º CD justamente com um dos ícones da música paraense que divulga os sons da Amazônia para o mundo. O álbum “Cristina Caetano interpreta Sebastião Tapajós & Parceiros”, que teve pré-lançamento na última sexta-feira, na Pousada do Cajueiro, na praia da Maracangalha, mostra a maturidade do trabalho da artista.

Neta de “seu Nito”, pescador da vila Curuai, e de dona Maria Ribamar, a Mazinha, Cristina Caetano cantava nas igrejas, acompanhando sua avó, e em eventos religiosos nos bairros da Interventoria e do Diamantino. Mas também cantou em bailes, barzinhos e festivais de música, tanto que em 2008 conquistou o 3º lugar no I Festival de Música Paraense, evento que envolveu artistas de todo o Estado.

Há quatro anos, cruzou nos palcos da vida com o violonista Sebastião Tapajós. Da conversa, surgiu a ideia de uma parceria entre sua bela voz e o violão do mestre, viabilizada através da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, com patrocínio da Mineração Rio do Norte. “Gravar meu primeiro CD sob produção musical de Sebastião Tapajós é uma grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo tenho a sensação de amadurecimento como profissional”, diz ela, com firmeza.

Graduada em Administração de Empresas e mãe de uma menina de 15 anos, Cristina Caetano sabe como é difícil conquistar espaços, principalmente pela falta de eventos públicos como os antigos festivais. “Não é fácil competir e aparecer na mídia nacional, mas percebo que muitos artistas fazem seu trabalho de forma maravilhosa e tentam se mostrar para o Brasil através das novas tecnologias”, diz Cristina que é antenada no potencial da internet para divulgar seu trabalho.

Das 1.500 cópias, 600 serão destinadas a Pontos de Cultura e demais espaços públicos de disseminação da cultura nos municípios do Pará. O restante será vendido a R$ 10 a unidade. A proposta veio do próprio marido de Cristina, o jornalista e historiador Paulo Henrique Lima, especialista em utilizar a internet como meio de democratização cultural. O sobrenome Caetano parece uma sina de quem tinha que brilhar. “Algumas pessoas acham que coloquei simplesmente como sobrenome artístico, mas é meu sobrenome mesmo”, diz ela. “Um jornal de Belém já me chamou de Cristina Veloso”, relembra, sorrindo.


(Diário do Pará)

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