28 de abr de 2010

Arthur Nery Marinho: Mundo de angústias

Eu sou, Senhor, de todos os tristonhos,
talvez o mais tristonho e o mais calado,
pois carrego, no peito agrilhoado,
o fantasma de todos os meus sonhos.
A vida, que me dera dias risonhos,
tornou-se austera e transformou-me o fado.
Vi-me, porque sorria, condenado
a sofrer golpes rudes e medonhos.
Assim é que minh'alma, quando canta,
é tão sentida que Deus se espanta,
percebendo as angústias do seu mundo.
Eu sou, talvez, o único, na Terra,
que, após chegar ao píncaro da serra,
viu de cima as misérias que há no fundo...
(O poeta Arthur Nery Marinho será homenageado no Sarau do Ponto de Cultura Largo dos Inocentes, que acontecerá no dia 30 de abril, a partir das 20 horas, no SESC Centro)

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