16 de ago de 2009

Quando entrar setembro: Artistas do Amapá contemplados no Projeto Pixinguinha


Na década de 1980 o Projeto Pixinguinha, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), foi um dos mais importantes espaços de revelação de artistas brasileiros. No circuito do projeto foram lançados nacionalmente, ao longo de três décadas, artistas como Luli e Lucina, Zizi Possi, Kleiton e Kledir, Sandra de Sá, Flávio Venturini, Elba Ramalho, Djavan, Zé Ramalho, Zeca Pagodinho e Adriana Calcanhoto.

Com Gilberto Gil à frente do Ministério da Cultura, o Pixinguinha ressurgiu em novo formato, contemplando editoração de CDs e publicação de livros. O projeto agora também patrocina os compositores para que fiquem em casa compondo durante seis meses e depois apresentem a produção da sua obra. Nesse novo formato, três artistas do Amapá foram contemplados e lançam seus trabalhos no mês de setembro em Macapá e em Ferreira Gomes. São eles: Patrícia Bastos, Enrico Di Miceli e Joãozinho Gomes.

Os artistas receberam patrocínio da ordem de R$ 90 mil para cada projeto, valor destinado a gravação de um CD, com mil cópias de tiragem, além da realização de três shows dentro do próprio estado, sendo um na capital e dois no interior. Duzentas cópias de cada trabalho devem ser enviadas para a Funarte. As regras do edital são iguais para todas as regiões, assim como os valores. Patrícia Bastos lança o CD Eu Sou Caboca e Enrico Di Miceli com Joãozinho Gomes lançam Amazônica Elegância em setembro no Teatro das Bacabeiras e na orla de Ferreira Gomes com entrada franca. Quem responde pelo espetáculo é a Bacabeira Produções.
Eu sou Caboca
A grafia é assim mesmo, do jeito que o povo amapaense fala. “Eu sou Caboca” é o título do CD de Patrícia Bastos, contemplado pelo Projeto Pixinguinha. A cantora fez duas gravações caseiras e enviou para a Funarte junto com seu projeto, que teve como um dos idealizadores Enrico Di Miceli. “Lembrei de uma música que foi composta pelo Celso Viáfora e pelo Joãozinho Gomes para Patrícia – canção que dá nome ao disco. É uma espécie de samba que nós transformamos em marabaixo. A concepção é o que a 'caboca' tem e o que ela pode mostrar daqui da Amazônia para o Brasil”, conta Enrico.

O CD tem 14 faixas, todas valorizando ritmos amazônicos como batuque, retumbão, lundu, carimbó, incluindo variações dentro do próprio marabaixo que, segundo Patrícia Bastos, são perceptíveis de acordo com cada comunidade onde ele acontece. Os arranjos partem da concepção de músicos renomados como Adelbert Carneiro, Dante Ozzetti, Aluizio Laurindo Júnior e Paulo Bastos. “Eu sou Caboca” é rico na presença de compositores de várias regiões do Brasil.

Tem Rafael Altério, Rita Altério e Pedro Altério, de São Paulo, assinando a canção “Filho do Uaranã”, que traz participação de Nilson Chaves; o maranhense Zeca Baleiro assina com Joãozinho Gomes “Gogó do Nego”; Neuber Uchoa, de Roraima, surge na voz de Patrícia em “Cruviana”; o poeta amazonense Thiago de Melo faz parceria com Nilson Chaves em “Milagre Fugaz”; do Pará vem Felipe Cordeiro e Jorge Andrade com “Vamos”; Dante Ozzetti e Joãozinho Gomes são os compositores de “Demônio de Batom”; Eudes Fraga e Paulinho Campos presentearam Patrícia com “Cantando pro mar”; Joãozinho Gomes, em parceria com o baiano Vicente Barreto, reaparece em “Pequeno pescador”, que tem participação vocal do gaúcho Vítor Ramil; o mesmo Joãozinho Gomes se faz presente com Enrico Di Miceli em “Triste que só”; tem também o paulista Celso Viáfora com “Crença”; Leandro Dias e Vital Lima com “Uma bem-te-vi”; Felipe cordeiro, Zé Maria Siqueira e Leandro Dias com “Benza Deus” e uma regravação da música “Natureza”, de Leci Brandão e Rosinha de Valença.

Amazônica Elegância
Não podia ser diferente um trabalho nascido da sutileza poética de Joãozinho Gomes e do virtuosismo musical de Enrico Di Miceli. Amazônica Elegância é o nome do CD dos dois artistas, também contemplados pelo Projeto Pixinguinha. “Desde o início, quando pensamos sobre o que íamos mandar para o Pixinguinha, partimos da valorização daquilo que produzimos aqui no nosso estado”, explica Enrico. Os ritmos peculiares do Amapá, batuque e marabaixo, são a base do trabalho, que se amplia com outros ritmos da Amazônia.O CD pode ser traduzido assim: é a música de Enrico Di Miceli na poesia de Joãozinho Gomes com os ritmos amazônicos.

A aprovação do projeto junto à Funarte foi possível com apoio da produtora cultural paulista Drika Bourquim, que ajudou a formatá-lo e a escrevê-lo. Segundo Enrico, apenas seis artistas do Amapá se inscreveram. Ele considera que o fato de ter 30 anos de carreira e nenhum CD gravado contou para a aprovação do seu trabalho em parceria com Joãozinho Gomes, além da qualidade poética de seu parceiro.

Todas as músicas do CD foram feitas através da parceria dos dois compositores, à exceção da canção “Mandala a Mandela”, que além da dupla tem também a mão talentosa de Cleverson Baia. As doze canções são: “Cantor, compositor e poeta”; “E reguem flores”; “Tudo lembra você”; “Mandala a Mandela”, com participção de Celso Viáfora; “A beleza da arte que emana”; “Amazônica elegância”; “Punhal de ferro”, com participação de Nilson Chaves; “Eu e a solidão”; “Letra de música”; “4 de fevereiro”; “Medonho Amor”, com participação do Grupo Voz e “Penastro”, que foi feita para o poeta roraimense Eliakin Rufino.

Serviço
Lançamento de dois CDs:
Sou Caboca – Patrícia Bastos
Amazônica Elegância – Enrico Di Miceli e Joãozinho Gomes
No Teatro das Bacabeiras
Dia 03 de setembro
Entrada franca
Na orla de Ferreira Gomes
Dia 05 de setembro
Acesso livre

Um comentário:

fernando-canto@hotmail.com disse...

Márcia, os espetáculos que se avistam certamente mudarão o rumo da nossa produção musical. Parabéns ao Joãozinho, ao Enrico e à Patrícia pela realização dos projetos, inda mais no "Pixinguinha".