30 de nov de 2008

A nova face de Macapá

Macapá, a capital solar do estado do Amapá, tem hoje mais de 300 mil habitantes. Sua expansão atraiu recentemente o mercado imobiliário e a cidade, que se estendia a perder de vista, invadindo ressacas e estreitando áreas quilombolas, assiste agora à verticalização de suas construções. Altos prédios residenciais e comerciais surgem em cada esquina, brigando com a falta de estrutura básica – saneamento, sobretudo – para concentrar a moradia nas regiões mais próximas do centro.

A face de Macapá está mudando a olhos vistos e com pressa. Quem viu a pequena cidade horizontal, de ruas largas e traçado reto, vai ficar com ela na memória. A partir de agora surge a Macapá dos espigões. E para conversar sobre a nova face da cidade, o Papel de Seda acionou o arquiteto e urbanista José Alberto Tostes (foto), que teve grande influência na construção do Plano Diretor da capital do meio do mundo.

Papel de Seda - Existe uma arquitetura amazônica?


Tostes - Existe uma arquitetura que respeita as condições climáticas e culturais da região. Não há especificamente uma arquitetura amazônica, mas sim uma arquitetura que respeita a cultura local.

Papel de Seda - Há uma estética regional que possa diferenciar nossas construções, aliando funcionalidade e beleza?

Tostes - Há sim, existe uma estética que prioriza a proteção adequada do vento, do sol, da chuva que cria uma plasticidade para o telhado e tudo isso associado a funcionalidade da edificação.

Papel de Seda - A verticalização de Macapá tem observado uma preocupação arquitetônica diferenciada?

Tostes - Sim, porque não se pode pensar somente no prédio, mas em toda a integração em relação ao entorno, para não ocasionar impacto de vizinhança e ambiental.

Papel de Seda - De que forma o curso de Arquitetura da Universidade Federal do Amapá pode contribuir para uma estética nova?

Tostes - Não creio que o curso de arquitetura possa contribuir com uma estética nova, mas sim com uma concepção de arquitetura que respeite as peculiaridades do lugar e isso pode ser associado à composição plástica que possa unir as concepções do novo e do antigo ao mesmo tempo.

Papel de Seda - Os elementos da cultura regional têm sido incorporados à formação dos novos arquitetos?

Tostes - A base do curso de Arquitetura da federal foi pensada exatamente neste sentido de incorporar todos os elementos que estão implícitos na cultura local amazônida.

José Alberto Tostes é Arquiteto e Urbanista; Mestre e Doutor em Ciências Sobre Arte na área de História e Teoria da Arquitetura; Professor Adjunto I da Universidade Federal do Amapá nos Cursos de Graduação em Arquitetura e Urbanismo; Especialista em Gestão Urbana; docente do Mestrado em Desenvolvimento Regional, atuando na linha de Planejamento Urbano Regional e Coordenador do Grupo de Pesquisa Arquitetura e Urbanismo na Amazônia.

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