
Papel de Seda - As apresentações de artistas amapaenses acontecem desde o dia 20 de novembro. Como você percebe a receptividade do público à sonoridade da música feita no Amapá?
Nivito Guedes – A receptividade do público para com a sonoridade do Marabaixo e do Batuque, além das composições diversas com temas universais, está sendo um diferencial neste universo que é São Paulo.
Papel de Seda – O Amapá em Cantos é uma espécie de vitrine e cria expectativas de vôos mais altos para a carreira de quem participa. Você fez algum contato importante?
Nivito Guedes – A receptividade do público está sendo tão boa que fui convidado para fazer, na segunda feira (24), uma apresentação no bar da Brahma com voz e violão. Recebi elogios e cumprimentos do público, músicos e uma consideração especial do crítico Mauro Dias. Fiz contato com produtores que estavam presentes para, quem sabe no futuro, realizar shows nesta capital.
Papel de Seda – Você tem um trabalho gravado, o CD Todas as Luas. Tem projeto para um novo CD?
Nivito Guedes – Irei lançar um novo CD, provavelmente no primeiro semestre de 2009. O Todas as Luas retrata fases e momentos especiais e muito pessoais da minha vida musical, entretanto, levei 3 anos para concluí-lo. Ao final desse tempo eu já havia amadurecido novas idéias e sonoridades, que podem e são muito bem observados nos shows que realizo hoje. Esse crescimento musical precisa e deve ser registrado mesmo com toda dificuldade financeira que enfrenta uma produção independente.
Papel de Seda – Sua carreira é fortemente marcada por apresentações no circuito de barzinhos. Até que ponto essa atividade acrescenta valores ao seu trabalho?
Nivito Guedes – Eu gosto de bares, é um público bastante rotativo, dinâmico e as expectativas e preferências mudam a todo o momento. A gente precisa o tempo todo conduzir esse público para que um não perca o foco do outro. Para quem começa a trilhar essa carreira é uma fase importantíssima, sobretudo no que se refere ao domínio de palco.Infelizmente a remuneração desse trabalho árduo está muito aquém do que espera e merece um profissional que almeja produzir CDs, DVDs, etc. Particularmente fui para o circuito de bares por necessidade de divulgar o meu trabalho, já que as rádios em Macapá não tocavam nossas músicas. Hoje estou redirecionando a estratégia de divulgação desse trabalho, mas com certeza farei ainda muitos e muitos bares da vida.
Papel de Seda – Os festivais ainda são vitrines importantes para a música independente?
Nivito Guedes – Os Festivais são e sempre serão vitrines, mas precisamos amadurecer também em direção aos sons futuristas e contemporâneos, mais modernos. Precisamos abrir nossas mentes e inspirações sob pena de ficarmos presos ao saudosismo, reproduzindo o mesmo modelo, em toda sua concepção, dos antigos festivais. A conseqüência dessa repetição é o distanciamento do público, que não vê suprida a expectativa revolucionária, como foi no passado com o surgimento de novas concepções rítmicas, melódicas, sonoras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário