26 de fev de 2011

"O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração"


Até para quebrar a rotina é preciso disciplina. Tanto que programei ir ao encontro dos poetas do movimento “Poesia na boca da noite”, consegui. A sexta-feira estava com aquela película de fim de tarde, cor de guaraná Rei, quando me desvencilhei do monte de coisinhas cotidianas que insisto em fazer repetidas vezes. Larguei tudo e virei o volante do meu velho e guerreiro Fiesta na direção da av. Presidente Vargas, destino Nossa Livraria.

Calçada irregular sob a árvore frondosa e a película fina da quase noite ficando mais pra guaraná Baré. Lugar pra estacionar a vista e a visão no alcance da roda de gente serenada pelos poemas, formada do outro lado da rua. Hei Márcia! Grita Vitória Machado, amiga querida que chega com Iracema também para o encontro. Atravessamos a rua como quem passa, sem se dar conta, de uma dimensão para outra.

Para além das fronteiras da roda de poesias a cidade segue sua agonia irresoluta. Na dimensão da poesia, das fronteiras da roda para dentro, as almas se entregam ao prazer de compartilhar esse olhar tão dilatado e instigante sobre as coisas do mundo e do ser, o olhar dos poetas. Valham-me Alcy Araújo, Mário Quintana, Manoel Bispo, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto, Aracy de Mont’Alverne e uma procissão de gente de olhar contundente sobre as agruras da vida. Até “poemeu” já foi lido/recitado por lá.

Serviço:
As rodas do movimento “Poesia na boca da noite” acontecem todas as sexta-feiras, de 17 às 19 horas em locais diferentes, sob o olhar atendo do prof. Antônio Munhoz Lopes. Para saber onde vai ser a próxima leia, a partir de quarta-feira, informação no blog da Alcinéa Cavalcante, uma das mentoras dos episódios poéticos em série: www.alcinea.com.

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