28 de jan de 2011

Teimosias alheias


A Caixa Econômica é o banco mais confuso que conheço, porém o que mais oferece serviços ao cidadão comum, assalariado, pobre, remediado. Então, é pra lá que vão todos, em algum momento, os que estão nas duas maiores camadas da pirâmide social. Fila para pegar a senha que leva à outra fila. Detesto falar com o colega do ensino médio, que por acaso trabalha num daqueles guichês, para furar a fila. Espírito velho que sou, levo sempre um livro na bolsa para tornar a espera mais produtiva.

“Os Mensageiros” é a segunda obra da série André Luiz, psicografada por Chico Xavier. A primeira, “Nosso Lar”, virou filme de sucesso ano passado. “Toda expressão religiosa é sagrada. Todo movimento superior de educação espiritual é santo em si mesmo”, define o autor ao analisar com tristeza a intolerância religiosa. E segue aprofundando o entendimento espírita sobre o assunto: “O espírito da Revelação é progressivo, como a alma do homem. As concepções religiosas se elevam com a mente da criatura”.

O barulhinho digital da troca de senha na tela desperta para uma espiada, e nada. Saio do banco com autorização para voltar depois do horário. Chuvisco e um táxi para quem não deve dirigir carro sem direção hidráulica menos de 24 horas depois de levar pontos na gengiva. André Luiz na bolsa, respiro devagar retendo os músculos. O taxista simpático logo daria exemplos de como não se dirige numa cidade de ruas que se confundem com estacionamentos.

Ultrapassou a carreta pela direita no cruzamento da Rua Leopoldo Machado com a Av. Pe. Júlio Mª Lombaerd. Cara maluco! O lugar é um salseiro. A bochecha ainda inchada da cirurgia, aquele humor de alma desconectada do corpo, dei a ele meu silêncio indiferente. Não bastou. Sujeitinho daqueles que nem ralho, nem lição dão jeito. Uns sacolejos, umas brecadas sem noção e o fim da picada, parar no meio do cruzamento impedindo os carros das vias transversais à preferencial de passarem. Ô coisa mal educada! Fosse o carro novinho em folha, que nada, carro velho fedorento.

Senti vontade de dar um cascudo naquela careca. Mas, lá em “Os Mensageiros” um trecho do autor dizia: “Não podemos perder tempo no exame da teimosia alheia. Temos serviços complexos e dilatados”. Claro que André Luiz não se referia a um taxista baixinho e atrapalhado, mas usei como desculpa para minha não violência momentânea. Acho que por isso Gandhi, Jesus e Buda andavam a pé.

2 comentários:

Ruzo disse...

Oi Márcia, levar o livro é uma forma inteligente de nos precavermos da raiva, quando se entende os critérios utilizados pelos bancos, fica mais complicado ainda, tive uma experiência em outra instituição, não levei o livro, o que procuro sempre fazer, e assim eu estava assessível ao problema, passei 1h30 na fila pra falar com o gerente, quando chegou a minha vez não sentei naquela cadeira que é feita mais baixa do que a cadeira dos atendentes que estão do outro lado, pra dar uma sensação de inferioridade em relação aos mesmos. Observando bem, em toda loja ou banco que recebe consultoria utiliza essa técnica. Fere profundamente o princípio da igualdade e tudo que o estado social deve disponibilizar e perseguir. Assim, tomemos os livros da Coleção A Vida no Mundo Espiritual, não físicamente como no caso do irmão Chico Xavier, que bateram o evangelho na cabeça dele, como se ele já não tivesse no coração e na razão, mas nos sentimentos nossos, pra evitarmos a ação em desamor. Bom dia!

Débora disse...

O recurso do livro, em especial dessa coleção, é uma ótima estratégia para conter os ânimos nesses espaços tão eficientes em nos oportunizar a prática, senão da paciência e da tolerância, mas de abrandar a nossa indignação. Haja teste!
Um grande abraço.