28 de jan de 2011

Flores para Daiz e Gelson


Contar o dia a partir daquilo que em mim permanece como eco é uma vontade antiga, desde os diários da infância, com os quais dialoguei sempre de forma desordenada. Aliás, a desordem nas minhas vontades tem sido uma ordem. Quinta à noite dei passos acanhados na direção da cadeira do dentista numa tentativa de mudar essa desordem enfrentando o medo. Eram seis da tarde quando cheguei a clinica.

Havia chorado, me angustiado, dormido e sonhado a tarde inteira. O corpo dói uma dor moída quando não pode se insurgir contra os acontecimentos. E lá estava eu na sala de espera lotada, minorando aquela sensação de humilhação que me invade sempre que preciso abrir a boca e ficar impotente na cadeira odontológica. Constrangimento, fragilidade a mercê da dor, animal indefeso prestes a ser mutilado.

“Entra na minha vida...” dizia a letra da canção católica cantarolada pelo médico. Aquilo me fez pensar em Deus e na gratidão que deveria sentir por ter a chance de ser tratada por profissionais tão habilidosos, em lugar limpo e seguro. Então me acalmei. Deixei acontecer e ainda fiz preces para que meus amigos invisíveis auxiliassem no procedimento cirúrgico. Flores para Daiz Nunes e Gelson Leão, odontólogos da Ortoclinica. Ela que é doce e sorridente e ele que faz tudo parecer uma brincadeira.

Um comentário:

antonia pantaleao disse...

Bom dia Márcia,sou Dentista e conheço os dois que lhe atenderam,mas eu gostei de ler a sensação do paciente,a sua visão,até hoje ainda dentista é visto como tortura,tem exceções,mas a maioria tem medo,acho que falta mais dvulgação da nossa profissão,para tirar esse medo do subconciente das pessoas,mas parabens pela declaração.